Volta às aulas. Secretários falam em problemas

Secretários de Educação de municípios da Região Metropolitana de Campinas preveem uma série de fragilidades nas redes municipais para a nova da de volta às aulas.

Caso as aulas presenciais sejam retomadas no dia 8 de setembro, conforme foi anunciado pelo Governo do Estado. A principal delas é a dificuldade para criar ambientes seguros nas escolas em meio à queda na arrecadação que atinge as prefeituras em decorrência da pandemia de Covid-19. O assunto foi discutido na manhã desta terça-feira (28), durante reunião virtual da Câmara Temática de Educação do Conselho de Desenvolvimento da RMC, convocada pela coordenadora do colegiado e secretária de Educação de Nova Odessa, Claudicir Brazilino Picolo.

No encontro online, que teve caráter extraordinário e contou com a participação de 16 dos 20 municípios do grupo metropolitano, os gestores avaliaram os protocolos necessários e dificuldades para implantação para uma eventual retomada. “Um dos pontos que discutimos foi a preparação das escolas para garantir a oferta de ambientes seguros aos alunos, sem risco de contágio. Para isso, é necessário adquirir equipamentos com pouca disponibilidade no mercado, portanto com preços altos, e os municípios estão com as arrecadações comprometidas”, afirmou a coordenadora da Câmara Temática de Educação.

Outra preocupação compartilhada pelos representantes é a dificuldade de adaptação dos alunos a uma nova realidade, cheia de restrições. “Os secretários apontaram a dificuldade de atendimento de protocolos de higiene com crianças da educação infantil, principalmente da creche e pré-escola, que encontram dificuldade para desenvolver hábitos de prevenção à Covid-19, como distanciamento e lavagem frequente das mãos”, disse Claudicir.

Os gestores também manifestaram preocupação com professores e demais servidores da educação que, numa eventual retomada em setembro, precisam estar protegidos. “Docentes e membros de equipes de apoio estarão em contato com crianças de todas as regiões de suas respectivas cidades o tempo todo e precisarão usar EPIs (equipamentos de proteção individual). Essa despesa precisa entrar no planejamento das prefeituras, pois essa proteção é fundamental para ambas as partes”, argumentou a coordenadora.

A situação dos quadros de funcionários das redes municipais também é motivo de preocupação. “Muitos municípios apontam que aproximadamente 30% do total de servidores da educação não retornariam ao trabalho por fazerem parte de grupos de risco. Diante disso, seriam necessárias eventuais substituições para que as crianças tenham o cuidado exigido nesse momento de pandemia”, explicou a coordenadora.

Além da avaliação de uma possível retomada, os secretários compartilharam dificuldades e experiências bem-sucedidas de ensino remoto, medida adotada pelos municípios para minimizar os prejuízos de aprendizagem. Em Nova Odessa, por exemplo, o “Aprendem em Casa” atende mais de cinco mil alunos da creche ao 5º ano da rede municipal, com aulas virtuais, distribuição de material impresso com acompanhamento e correção de professores e uma plataforma digital com conteúdos complementares. O programa municipal é elogiado pelos pais e tem adesão de 98% das crianças matriculadas na rede.

Segundo a coordenadora da câmara temática, os apontamentos feitos pelos secretários serão reunidos em um relatório que será apresentado aos membros do Conselho de Desenvolvimento da RMC. “A ideia é dar subsídios para que os prefeitos possam, junto com os secretários e com base nos protocolos e orientações da Secretaria Estadual de Educação, tomar decisões mais seguras e favoráveis às crianças”, concluiu Claudicir.

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