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Um Brasil desigual

Darcy Ribeiro dizia que ???Nós temos uma das elites mais opulentas, conservadoras e antissociais do mundo???.  Tenho que confessar que concordo com sua definição. Afinal, é estarrecedora a diferente realidade enfrentada entre os mais favorecidos e os mais pobres, ao se defrontarem com a Justiça.
 Um programa de TV contou a história de duas mulheres infratoras que pleiteiam ficar perto dos filhos. Uma é a auxiliar de limpeza Alessandra, esposa de presidiário e mãe de cinco filhos – o mais novo de dois meses! A outra é a mulher do investigadíssimo ex-governador Sérgio Cabral, Adriana Ancelmo, que tem dois filhos, de 11 e 15 anos. Enquanto a primeira permanece presa, a segunda já está em seu lar!Adriana, em meio a uma fortuna gerada pelo desvio de centenas de milhões de reais, tem um diferencial: ela é parte de uma elite ???opulenta, conservadora e antissocial???, com advogados caríssimos, que são capazes de defender até o capeta a troco de polpudos honorários. Já a infeliz Alessandra tem que se contentar com uma defensora pública.Quando eu soube que o ex-presidente Lula teria contratado o ex-ministro Sepúlveda Pertence por cinquenta milhões de reais, para defende-lo junto ao STJ, imaginei quantos pequenos contraventores ???vítimas do sistema???, com tal quantia, seriam defendidos por advogados remunerados ao invés de terem que se sujeitar a defensores públicos, nem sempre capacitados. O irônico é que Alessandra deve ter ficado muito feliz ao assistir na TV, Lula e Sérgio Cabral comemorando abraçados por ocasião da decisão do COI pela escolha do Rio de Janeiro como sede das Olimpíadas de 2016. Provavelmente, se sentiu orgulhosa de ser brasileira e pensou, dentro de sua ingenuidade, que o Brasil estava deixando de ser um país desigual e injusto…
Orestes Camargo Neves

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