Um anti-herói italiano, por Oscar D’Ambrosio

A época dos grandes heróis parece ter chegado ao fim. Os novos heróis são os anti-heróis, ou seja, aqueles que aparentemente não tem nada de heroico, sendo comuns, mas que, em dado momento, revelam uma força interior que os motiva a realizar ações supostamente heroicas, mas marcadas por uma violência e/ou métodos discutíveis.

Esse é o caso do filme italiano ‘Dogman’, dirigido por Matteo Garrone. O cenário é um vilarejo miserável na Itália em que um brutamontes, quase sem cérebro, mas com a violência à flor da pele em seu desejo de conseguir dinheiro para se abastecer de drogas e para se mostrar e se sentir no topo do mundo, busca ser o macho alfa dominante.
No polo oposto, está o personagem Marcello, dono de um pet shop, carinhoso com os animais e motivado apenas pelo sentimento de ser querido pela comunidade e de subsistir. O choque entre os dois resulta num desfecho trágico, marcado pela violência do dominado sobre o dominador.
A grande questão que o filme coloca é que não existe nesse jogo um vencedor. Há uma grande derrota para a raça humana, pois a vingança do personagem baixinho e afável contra o alto e forte é caracterizado pelo sadismo e mero desejo de reconhecimento da comunidade. A morte e o sangue são assim, aparentemente, a única linguagem de uma raça que se diz racional.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

Gostou? Compartilhe!

Compartilhar no facebook
Facebook
Compartilhar no whatsapp
WhatsApp
Compartilhar no twitter
Twitter
Compartilhar no telegram
Telegram
Compartilhar no linkedin
LinkedIn

Siga-nos

PUBLICIDADE

PUBLICIDADE