RMC. Após tombo em 2020, alimentação fora do lar se recupera

Campinas, 19 de maio de 2021 – Após registrar um tombo de 40% em 2020, resultado do fechamento das portas e atendimento presencial em razão da pandemia, o setor de alimentação fora do lar (bares, restaurantes, padarias e bebidas), começa a ver uma luz no fim do túnel com a volta gradual das atividades. Este sentimento de retomada se confirma com o estudo de “Potencial de Consumo” para 2021, que acaba de ser divulgado pela IPC Maps, estimando uma alta no consumo na Região Metropolitana de Campinas (RMC) de 5,8% na alimentação fora do lar e de 5,9% em bebidas. O levantamento também aponta um crescimento de 12,8% de empresas em atividades sobre 2020.

 

Pela estimativa do IPC Maps, em 2021 o consumo de alimentação fora do lar deverá atingir R$ R$ 4.004 bilhões, enquanto o segmento de bebida chegará a R$ R$ 1,049 bi, totalizando R$ 5.094 bilhões em consumo. O valor ainda está bem aquém dos números do período pré-pandemia, em 2019, que foram de R$ 5.949 bilhões.

 

Para Matheus Mason, presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) em Campinas e Região, o estudo de potencial de consumo é positivo e confirma a sensação dos empresários do setor. Mas ressalta que o valor estimado ainda está 32% abaixo da pré-pandemia. “Levando em conta a taxa estimada de crescimento, o setor deverá levar cinco anos para recuperar a retração gigantesca provocada pelas crises sanitária e econômica e o isolamento”, alerta.

 

De acordo com O IPC Maps, existem hoje em atividades na RMC, segundo dados oficiais, 34.700 empresas de alimentação fora do lar (eram 30.767). Levando em consideração este número e o potencial de consumo, o faturamento mensal por empresa aponta aproximadamente R$ 9.712 mil mês, bem distante dos R$ 13.943 de 2019.

 

Segundo Marcos Pazzini, responsável pelo IPC Maps, “houve crescimento nominal nos valores de potencial de consumo de Alimentos e Bebidas, tanto na RMC como no município de Campinas, o que é um excelente indicador de que, aos poucos, as coisas tendem a voltar ao normal, mesmo com a segunda onda da pandemia”

 

Para o empresário Sérgio De Simone, proprietário do Rancho Colonial Grill, este aumento no consumo, já verificado nas últimas duas semanas, resultado das pessoas saindo mais, é bom, mas mostra uma economia ainda franca. “A curto prazo, percebemos uma volta gradual das pessoas, com todos os cuidados, mas as contas ainda vão continuar deficitárias, com muitas empresas fechadas, com uma perda de 40%, o que mostra que vivemos uma terra arrasada”.

 

Já Roger Domingues, diretor da Rede Lanchão, diz que este crescimento de consumo ainda não é realidade no setor de lanches. “Não vimos o crescimento ainda. Abril foi pior que março”, explica. “Estamos aguardando maio para ver como será o mercado”

 

NOVAS EMPRESAS

O IPC Maps também levantou o número de empresas do setor cadastradas juntos aos órgãos federais e estaduais. Existem atualmente na RMC 34.700 estabelecimentos abertos, 12,8% a mais em relação ao relatório de maio de 2020. O crescimento na região está ligeiramente superior à medida nacional (11%).

 

Segundo Mason, da Abrasel em Campinas e Região, a abertura de empresas também é positiva, mas lembra que a maioria é de Micro Empreendedor Individual (MEI), o que indica que muitos desempregados com a pandemia decidiram abrir o próprio negócio por necessidade, como meio de sobrevivência, e até por causa da alta do delivery. “A população está tentando se recuperar dos impactos da crise”. Finaliza o diretor regional.

 

Não são apenas os desempregados que enxergam oportunidades no setor de alimentação fora do lar. Em abril, um grupo de empresários decidiu apostar no mercado, abrindo uma empresa sob o modelo de Dark Kitchens, operando somente com entregas por delivery e retiradas, um esquema mais enxuto.

 

Apesar de toda a retração de 2020 e das dificuldades, o setor de alimentação fora do lar continuará a ser atrativa tanto para negócios como para o consumidor final, que continuará comprando de restaurantes, mas de forma mais seletiva, priorizando a qualidade, acredita Renato Higa, um dos sócios da Cachorro Magro Rotisseria.

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