SP vai mal na recuperação da Mata Atlântica

Entre 1985 e 2015, São Paulo desmatou 14.737.879 hectares de Mata Atlântica, enquanto a recuperação ficou em 23.021 hectares. Isso significa que, para cada 640 hectares de mata nativa devastada, o estado só consegue replantar um hectare. Os dados são do SOS Mata Atlântica.
Para se ter uma ideia, de acordo com o MapBiomas, a área de floresta original da Mata Atlântica em todo o país diminuiu mais de 2 milhões de hectares em 33 anos e ficou em 32 527 070 hectares. Na época da colonização, em 1.500, eram mais de 150 milhões de hectares. Ou seja, restam aproximadamente 21% da vegetação original, fora os replantios.
Mata Atlântica
O Ministério Público do Paraná finalizou nesta semana uma operação de fiscalização e punição para desmatadores em 17 estados do país. O promotor do meio ambiente do Ministério Público do Paraná responsável pela Operação Nacional Mata Atlântica em Pé, Alexandre Gaio, afirma que não se desmata mais porque a Mata Atlântica já foi quase toda consumida.
???A gente considera que o principal fator para essa diminuição é o índice que é muito baixo de remanescente de vegetação. Então, quando temos apenas e aproximadamente 10% de remanescente de vegetação em bom estado de conservação, e esses remanescentes, na maioria dos casos, se situam em locais de difícil acesso ou em locais com uma maior dificuldade de utilização econômica, o desmatamento diminui???.
Além disso, só foram contabilizados na operação os hectares fiscalizados pelos agentes. Gaio afirma que muitos estados não conseguiram equipes suficientes para vistoriar todos os desmatamentos verificados por satélite. Em todo o país, o número de hectares desmatados pode ultrapassar os 12 mil, de acordo com as imagens de satélite do SOS Mata Atlântica.
Além da aplicação de multas para quem desmata, outra ação de defesa da Mata Atlântica é o reflorestamento. Uma das primeiras iniciativas de recuperação do bioma foi criada em 2000 pelo SOS Mata Atlântica: era o Click Árvore. O internauta poderia solicitar o plantio de uma árvore na Floresta Gratuita, em que os patrocinadores custeiam o processo, ou na Floresta Paga, em que ele próprio doa o dinheiro para o plantio. Desde então, o SOS Mata Atlântica já plantou mais de 40 milhões de mudas.
???A melhor ferramenta que o país tem hoje para apresentar para combater esses fenômenos extremos que são as grandes secas, enchentes, furacões, é sim a restauração florestal. A floresta interfere muito fortemente no clima, e controla o principal gás que provoca esse efeito de aquecimento global, CO2 especificamente. E por último, lembrar também que todo esse processo ??? imagina 12 milhões de hectares, o movimento econômico que isso não geraria???, afirma o gerente de Restauração Florestal da ONG, Rafael Bitante.
Para a doutora em Mata Atlântica e pós-doutora em Desenvolvimento Rural Sustentável da Universidade Federal do Espírito Santo, Luciana Dias, o reflorestamento das áreas degradadas exige planos personalizados de acordo com a região.???Tem que passar por um órgão ambiental para ser avaliado e ser aprovado. O agricultor não pode da cabeça dele ???eu vou recuperar minha área agora, vou plantar isso???, não. Tem que fazer um projeto.Se eu estou na região norte, aqui o projeto de recuperação vai ser de um jeito, se estou no sul do estado vai ser outro, se estou na região serrana, vai ser outro. Porque a fauna fica toda de acordo com a vegetação existente, se eu trago uma espécie da Amazônia nossos animais não vão reconhecer, e aquela espécie depois não vai ser de novo polinizada, a semente não vai ser levada por um animal???.
De acordo com um estudo da Embrapa publicado em 2012, a Mata Atlântica encontrada no interior do estado de São Paulo também possui plantas com propriedades medicinais. A extração não causa morte das raízes, ou seja, não implica em desmatamento.
A Mata Atlântica é um bioma predominantemente litorâneo e ocupa 13% de todo o território nacional em 17 estados. Hoje menos de 10% do bioma está preservado. A vegetação litorânea foi a primeira a sofrer com a colonização portuguesa no século XVI: a Mata Atlântica abrigava o pau-brasil, árvore que batiza o país. O desmatamento continuou, dessa vez para a produção de cana-de-açúcar no Nordeste e de café no Sudeste. 

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