Sistemas complementares ainda deficitários na indústria brasileira

A Indústria 4.0, também chamada de quarta fase da revolução industrial, caracteriza-se pelo uso intensivo de tecnologias e, mais que isso, pela integração de todas as áreas da empresa, da administração à produção, através de sistemas informacionais e tecnológicos. 
Na prática, isso se traduz com um alto nível de automação e de uso de máquinas como robôs, computadores e até mesmo drones que ajudam a aumentar a eficiência da produção, além de ajudar a ter maior controle de todos os processos.
A ideia pode até parecer filme de iniciação científica, mas em diversos países, como na Alemanha, pioneira no desenvolvimento da Indústria 4.0, isso já é uma realidade. No Brasil, no entanto, segundo um estudo realizado pela Totvs em parceria com a H2R Pesquisas Avançadas, a quarta fase da revolução industrial ainda está engatinhando.
Os pesquisadores que realizaram o estudo ???Índice de Produtividade Tecnológica??? descobriram que, embora o uso de sistemas de gestão como o Enterprise Resource Planning (ERP) seja considerável entre as indústrias brasileiras, a utilização de sistemas complementares ao ERP, ainda é baixa.
Principais dados da pesquisaUma das formas de mensurar a implementação da Indústria 4.0 é observando a utilização dos chamados sistemas de gestão, softwares que ajudam a tornar mais rápidas e eficientes operações das mais diversas áreas de uma empresa ou indústria. 
O estudo da H2R Pesquisas Avançadas em parceria com a Totvs buscou investigar justamente como está a implementação desses recursos na indústria brasileira. 
Utilização de ERP???sUm dos principais sistemas de gestão que pode mostrar o avanço da indústria 4.0 é o Enterprise Resource Planning (ERP). A principal aplicabilidade desses programas é na parte administrativa, no chamado Back Office. 
Com esse recurso, a empresa pode, por exemplo, ???automatizar??? o pagamento de contas e folhas salariais e verificar o fluxo de caixa. Os ERPs podem ser utilizados também nos processos produtivos e, nesse caso, o software atualiza em tempo real a utilização, por exemplo, da matéria-prima.   
O estudo concluiu que os ERPs são bem aceitos pela indústria brasileira e são utilizados nas mais diversas áreas, como nos setores financeiro, fiscal, de faturamento e de estoque. No entanto, o uso desses sistemas ainda é disperso, ou seja, as empresas não compram pacotes integrados de ERPs, elas preferem soluções pontuais, pensadas a partir das necessidades de cada setor. 
Baixa adesão a sistemas complementares  Outra conclusão apresentada pelo estudo é que as indústrias brasileiras adotam de maneira muito tímida os sistemas complementares ao Enterprise Resource Planning. 
Então, por exemplo, ainda há baixa adesão a sistemas que fazem a integração com o e-commerce, e o CRM (Customer Relationship Management)  é desconhecido por mais da metade das indústrias. Outro dado revelado é que as indústrias também não investem tanto em soluções do tipo ???cloud??? (armazenamento de informações na nuvem).
Integração com o e-commerceA integração com o e-commerce, feita principalmente através do omnichannel, é talvez o maior gap das indústrias brasileiras já que, segundo o estudo, 70% delas ainda não possui softwares para essa funcionalidade. 
Esse dado pode ser preocupante porque no momento atual de consumo, as pessoas tendem a aproveitar a internet para pesquisar e adquirir produtos. Ou seja, para que a Indústria 4.0 se concretize e expanda é de extrema importância que a área de produção seja integrada à área de venda, por exemplo.   
Soluções na nuvem Outro dado significativo que a pesquisa revelou é que 60% das indústrias brasileiras ainda não possuem soluções do tipo ???cloud???, ou, em bom português, na nuvem. Ou seja, boa parte delas ainda não hospeda dados e informações relevantes da organização em servidores que podem ser acessados através da internet.
Com isso, as vantagens do cloud computing, como a agilidade e a flexibilidade para acesso e a segurança de armazenamento, não são atingidas, tornando a implementação da indústria 4.0 mais lenta e incompleta.  
CRM (Customer Relationship Management)Outro sistema complementar que é pouco utilizado pela indústria brasileira é o Customer Relationship Management, CRM, que podemos traduzir como um sistema que faz a Gestão de Relacionamento com o Cliente. 
De forma geral, esse sistema de gestão permite que a empresa tenha conhecimento, por exemplo, do email e do telefone do cliente, o que facilita a interação da empresa com o seu público alvo. Segundo a pesquisa, 56% das empresas brasileiras não fazem ainda essa integração.
Esses dados deixam claro, portanto, que a Indústria 4.0 não se traduz apenas como automação do chão de fábrica, ou da área administrativa. A interação com os clientes e a utilização de soluções em nuvem também são indícios de sua força e de sua extensão e, nesse sentido, as indústrias brasileiras ainda precisam avançar. 

Gostou? Compartilhe!

Compartilhar no facebook
Facebook
Compartilhar no whatsapp
WhatsApp
Compartilhar no twitter
Twitter
Compartilhar no telegram
Telegram
Compartilhar no linkedin
LinkedIn

Siga-nos

PUBLICIDADE

PUBLICIDADE