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Sem estrutura, médico atende moradores do Monte Verde de forma voluntária

Os moradores do bairro Monte Verde, em Americana, sofrem com a falta de estrutura urbana e saneamento básico por não ser regulamentado. Hoje, a região do pós-anhanguera conta com quatro “bairros” que enfrentam as mesmas dificuldades, além do Monte Verde, os assentamentos Milton Santos e Roseli Nunes e a comunidade Sobrado Velho. Juntos, os bairros somam aproximadamente 8 mil famílias.

Apesar dos problemas enfrentados, a área da saúde sempre tem um peso a mais. Como não há regulamentação, a principal dificuldade dos moradores é o comprovante de endereço, documento obrigatório para receber atendimento na saúde pública. Com o impeditivo e sem projeção da resolução do problema, o médico formado em medicina da família e comunidade, Dr. Paulo Rogério Lopes, atende de forma voluntária no local.

Dr. Paulo começou a atender no assentamento Roseli Nunes, mas com a diminuição de moradores no local, foi convidado por uma moradora do Monte Verde, Hannah Oliveira, a conhecer o bairro.

“Eu comecei a atender no acampamento Roseli Nunes em 2018, na época tinha muitos moradores lá, mas foi diminuindo, e a Hannah pediu para que eu começasse a atender no Monte Verde, eu não conhecia o bairro”, disse o médico, que hoje faz o atendimento no local de sábado, a cada 15 dias, com exceções quando existe alguma urgência e o atendimento precisa ser imediato.

Ao ser questionado sobre o que o teria motivado a iniciar o voluntariado, o médico afirma que a solidariedade. “Eu sou cristão católico, já fui missionário da Igreja católica, trabalhei no Amazonas e, voltando pra cá, decidi atender pessoas que precisassem. O pessoal aqui está afastado do Centro, então existe a dificuldade de locomoção, além da dificuldade de comprovar endereço, eles vão até o SUS, nas UBSs e por não conseguir comprovar endereço, ficam desassistidos”, contou Dr. Paulo.

A especialidade de Dr. Paulo permite que ele faça todos os tipos de atendimentos, desde criança, idoso, saúde mental, etc. Se é caso grave, o paciente é encaminhado para um especialista.

MORADORA ENGAJADA. Hannah Oliveira é uma ativista social que luta pelos direitos dos moradores do bairro. Hannah conta das dificuldades enfrentadas principalmente com a falta do comprovante de endereço e o deslocamento.

“Pela falta de comprovante de endereço, infelizmente a gente não tem acesso à saúde pública da região. A questão do deslocamento é um problema muito grave pra gente aqui. O Dr. Paulo está sempre pronto pra atender, mesmo que seja na casa das pessoas, de final de semana, se tem alguma emergência ele vem. Não temos palavras pra definir a importância disso”, disse Hannah.

LOCAL. O local para atendimento também sempre foi uma preocupação. Dr. Paulo contou ao NM que sempre ficaram “passando” de casa em casa, e que agora uma moradora, Sandra, cedeu um espaço fixo.

Apesar disso, o local segue sem a estrutura necessária para os atendimentos médicos. A casa ainda está sem acabamento e os atendimento são realizados em um pequeno quarto.

AJUDA DO PODER PÚBLICO.

Dr. Paulo afirmou que a ajuda que o poder público dá é aceitando os pedidos de exames e receitas como pedidos do SUS. Encaminhamentos para especialidades, quando o caso é grave, também são aceitos.

Diante da situação, os moradores precisaram fazer um apelo para que os postinhos e farmácia pública aceitassem as receitas emitidas pelo Dr. Paulo. A demanda foi atendida com a adequação de um carimbo de voluntariado que deve ser registrado nas receitas.

“Meus pedidos de exames e as receitas, por exemplo medicação controlada, são aceitos. De infraestrutura, por enquanto nada”, disse o médico.

 

 

 

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