Relações EUA e Irã nem sempre foram de hostilidade

As relações entre EUA e Irã nem sempre foram de hostilidade, haja vista o período no qual o Xá Mohammad Reza Pahlavi governou o Irã, de 1941 até 1979, quando foi deposto pela Revolução teocrática iraniana.
?? certo que sua chegada ao poder se deu por meio de um golpe de estado com apoio dos EUA, fato que desencadeou o início do antiamericanismo no país. Ocorre que em 1953 o primeiro-ministro Mohamed Mossadeq, havia nacionalizado a indústria petroleira do país, agradando o povo iraniano. Mas com o golpe as indústrias estrangeiras retornaram.
De 1979, com a Revolução Islâmica, até hoje, a relação entre os países é repleta de sobressaltos. Nesse período, o aiatolá Khomeini denominava os EUA como o grande satã, o que dá uma ideia da inimizade.
Desde então, de Jimmy Carter até Trump, o Irã vem sofrendo uma série de embargos econômicos, e nos últimos anos foram intensificados, sufocando o regime teocrata.
O regime está pressionado e aniquila protestos e oposição. O PIB caiu pela metade.
Por outro lado, o Irã testa limites. O país está por trás dos ataques recentes a alvos americanos no Iraque e campos de petróleo na Arábia Saudita.
Ninguém é santo. Os EUA terceirizam a guerra e não respeitam nem reconhecem o direito internacional. O Irã acoberta ações por meio de grupos terroristas.
O Irã precisa de um inimigo e os EUA ainda são o adversário ideal. Por isso o Irã tem acossado Trump que já havia avisado que reagiria. Trump arriscou e só o tempo dará a resposta de seu ato.
Trump também está na berlinda. Em que pese a boa economia sua política externa no Oriente Médio e Venezuela não andou bem.
O assassinato do General Qasem Soleimani e demais membros de sua comitiva deixarão o Oriente Médio mais instável do que o habitual.
Na sequência teremos certamente ataques de grupos extremistas a pontos já esperados como Israel, Arábia Saudita, dentre outros.
Não se descartam ataques terroristas aleatórios, mesmo nos EUA.
Porém, não se espere guerra convencional. O que as partes desejam é um contraponto que sirva aos seus interesses políticos.
Sobre Cassio Faeddo: Advogado. Mestre em Direitos Fundamentais. MBA em Relações Internacionais

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