Psicóloga e filósofo e a não mobilização popular hoje

O brasileiro é internacionalmente conhecido como um povo receptivo, sorridente apesar dos problemas, criativo e que sempre “samba” pra resolver as mais diversas situações. Povo pacato, tradicionalmente acomodado em sua zona de conforto, ou seria de desconforto conhecido.
Desde 7 anos atrás quando elegemos Tiririca aqui em SP pela primeira vez com o slogan “pior que tá não fica”, já tivemos várias surpresas, ingratas: o escândalo do petrolão, triplex no Guarujá, bandeira vermelha na conta de energia elétrica pra cobrir o rombo que o próprio governo causou, e agora o aumento súbito e grotesco dos combustíveis em quase 40 centavos para pagar a conta de um governo que pede austeridade, mas aumenta salários de magistrados, deputados e assessores parlamentares, indo na contramão das medidas de sacrifício que pede do povo. E porque não estamos nas ruas, protestando contra isso ou deixando o carro em casa?
Curioso ressaltar que por vinte centavos, fomos às ruas, protestar por um aumento que, a posteriori, veio de qualquer modo. Pelo impeachment da ex-presidente Dilma, fomos às ruas. Mas agora, assistimos ao governo Temer comemorar a passividade do povo, comemorar o aumento dos impostos sem manifestações populares, sem pressão das pessoas nas ruas, sem “panelaço”. Qual a razão? Enquanto isso, seguem as denúncias contra o presidente Temer, que serão trazidas à votação essa semana, mas o líder do governo no Congresso, André Moura (PSC-SE) reforça a tese de que tudo vai ficar bem para o presidente. Ele disse que os líderes governistas sondaram os deputados sobre eventuais impactos da medida na votação e concluíram que, devido à falta de reações populares, não deverá haver mudanças nos votos pró-Temer. 
Acredita-se que esse comportamento, que seria incomum em outros países vizinhos como Argentina e Uruguai, tenha origem na descrença do brasileiro, que está cansado, exaurido, de lutar e sempre ser vencido pelo sistema, pela máquina pública.  De acordo com o filósofo Fabiano de Abreu: “Um povo pacato abre brechas para a falta de solução. Entendemos que o cansaço contínuo devido a “metralhadora” de acontecimentos negativos que mexem com o emocional, causa uma desmotivação. Mas devemos entender que sem ação não há consequências, não há resultados e não há mudanças.”  
Já para a doutora Rosilene Espirito Santo Wagner os motivos de tal inércia está ligado a fatores sociais, culturais e históricos, que formaram ao longo do tempo a personalidade e pensamento coletivo do povo brasileiro: “Isso é uma construção cultural. Estudada há muito por homens letrados, tal qual J.O. De Meira Penna que genialmente escreveu “Em Berço Esplêndido”, que tenta explicar a construção subjetiva e o traço psicológico e o inconsciente coletivo (Carl Jung). Que trazemos em nós ( sem sabermos), por vivermos do lado de baixo do equador. A urgência dos prazeres, a necessidade de estar na rua em busca de algo que preencha a nós mesmo e não a coletividade. E se jeito de “dar um jeitinho”, consegue externalizar a preocupação com o sujeito individual negando a coletividade.Estamos no discurso, mas  em sempre na “ação”. Comenta.
Leandro Karnal diz que não existe nação corrupta com políticos honestos, e vice versa. Estaríamos então realmente deitados “em berço esplêndido”, por constatar que temos o governo que nos representa e nos reflete, ou pelos motivos sociais e culturais apontados acima? Cabe uma reflexão e carece-se de ação a respeito.

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