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Política, um elogio

Não há futuro sem conflitos. O reconhecimento desta afirmação é salutar e nos conduz a outras formas de encarar a realidade em que vivemos, no presente e no passado. Os desafios da imaginação política e do pensamento social, e assim o demonstram as suas próprias histórias paralelas, residem na busca de respostas e na solução de conflitos humanos e sociais. Há uma história do pensamento político empenhado na previsão, na prevenção, na regulação e na superação de conflitos ao longo do tempo, em diferentes lugares no mundo.

A continuidade desta lógica política interativa, reflexiva e autorenovadora abre possibilidades para outros comportamentos e atitudes na vida em sociedade. Primeiro, ela nos sugere não buscar a antipolítica, ou seja, a prática aberta e dissimulada da violência no enfrentamento de conflitos humanos e sociais. Segundo, ela nos sugere não abandonar a política pois a indiferença e a evasão podem ser atenuantes do cotidiano opressivo e frustrante mas não implicam em soluções aos conflitos, sejam eles de qualquer espécie. Terceiro, ela nos sugere não rejeitar o sistema político e o pluralismo da vida democrática. 
A política não se reduz a um jogo pelo poder. Ela traduz o desejo e a motivação na realização de um projeto de futuro, sem desconhecer e ignorar a existência de conflitos. Nesta perspectiva a política é o espaço da criatividade, da imaginação, da participação, da solidariedade e da liberdade humana. Ideias, instituições, reformas, legislação, organização social, eleições e debates políticos são decorrências da avaliação das transformações econômicas e das aspirações sociais e da solução aos conflitos delas resultantes. Um projeto de futuro é um projeto político, o estabelecimento de um necessário e atualizado contrato social. Um projeto político de futuro elabora e testa as políticas públicas mais apropriadas.
Pensamentos, comportamentos e atitudes políticas possuem fundamentos culturais, são construídos social e historicamente. No Brasil e na América Latina, desde a década de 1990, discutem-se reformas políticas e econômicas capazes de elevar os níveis de desenvolvimento nacional. A inovação cultural e política no século XXI volta-se para o aumento da produtividade na economia, sem o qual não poderão ser sustentadas as políticas sociais. As políticas sociais são inadiáveis e imprescindíveis em qualquer sociedade, sobretudo, aquelas marcadas pela opressão, pela concentração da riqueza e da cultura, pela violência. E a sociedade brasileira é uma delas. A política deve prevalecer e continuar.
Paulo Henrique Martinez é professor do Departamento de História da Unesp de Assis.  

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