PCJ prevê crise mais grave de água este ano

O acompanhamento dos dados climatológicos e monitoramento do comportamento hídrico dos principais mananciais das Bacias PCJ mostraram que as chuvas ocorreram abaixo do esperado para o primeiro trimestre de 2021. Os dados preocupam, já que nos últimos quatro anos também foram registradas menos chuvas nas áreas monitoradas.

Os meses de janeiro, fevereiro e março, considerados de maior incidência de chuvas, registraram precipitações na ordem de 31,5%, 10,5% e 13,5% menores do que o esperado para o período, respectivamente. Portanto, as chuvas do primeiro trimestre de 2021 ficaram 20% abaixo da média histórica, fato que prejudicou a recuperação do principal manancial de abastecimento da região, o Sistema Cantareira.

Até a primeira quinzena do mês de abril foram registradas chuvas na ordem de 4,2mm na região do Cantareira, o que representa apenas 4,8% do esperado para o mês. Nas Bacias PCJ, as chuvas ocorreram na ordem de 8mm, representando somente 11,8% do total de chuvas esperado. Diante desse contexto, é importante ressaltar o mês de abril marca o início do decréscimo do volume das chuvas na região das Bacias PCJ, reduzindo também a capacidade de recuperação dos reservatórios.

Esses dados influenciam significativamente no comportamento do Sistema Cantareira que está operando com volumes de armazenamento abaixo do recomendado para o período. O ideal seria terminar o primeiro trimestre de 2021 com o volume de reservação de água próximo a 70% (faixa normal), porém, o Sistema registra, atualmente, 52% de volume (faixa de atenção).

No mesmo período do ano passado, o Cantareira operava com 63,7% de seu volume útil. A vazão média de afluência ao Sistema também está abaixo do normal, a vazão média registrada em abril, até o dia 17, representava 30% da média histórica para o mes. No último trimestre, janeiro/fevereiro/março, a vazão média registrada é a menor dos últimos 20 anos, excetuando-se os anos de 2014 e 2015, quando foi registrada a maior estiagem desde 1930.

Como alertado previamente pelo Consórcio PCJ, a permanecer esse cenário não atingiremos em 2021 os volumes mínimos necessários de armazenamento de água para garantir maior segurança hídrica ao Sistema Cantareira.

Caso esse comportamento hídrológico se confirme nos próximos meses, existem grandes chances da região das Bacias PCJ passar por forte estresse hídrico já em 2021, com reflexos também para o próximo ano. O risco se torna ainda maior aos 58 municípios não atendidos pelo Sistema Cantareira e, portanto, sem uma reserva extra para suprir suas necessidades durante a estiagem que se aproxima.

Nesse sentido, o Consórcio PCJ alerta os municípios da região para iniciar campanhas de conscientização junto a população, incentivando a adoção de atitudes estratégicas sobre o uso racional e sustentável da água que permitam a ampliação da resiliência frente aos eventos extremos que se aproximam.

Além da conservação dos mananciais, a entidade recomenda que todos os reservatórios de abastecimento de bairros das cidades estejam em condições de pleno funcionamento para garantir maior armazenamento de água e que sejam complementados os pontos críticos com a adoção de reservatórios pré-fabricados. Também é de extrema importância campanhas de estimulação de construções de cisternas, urbanas e rurais, para armazenamento de água de chuva, pois, poderá vir a faltar água para o abastecimento público nos municípios e para a garantia das agriculturas irrigadas, no campo.

Existe grande necessidade nas Bacias PCJ de ações estruturais de ampliação da disponibilidade hídrica. Temas como a construção de grandes reservatórios regionais (Pedreira, Duas Pontes, Piraí, Bacia do Corumbataí) e barramentos municipais devem fazer parte da agenda de políticas públicas com o objetivo de se preparar para as demandas futuras por água.

As ações para minimizar os problemas das estiagens são complementares entre si e envolvem uma série de medidas estruturais e não estruturais associadas. A sensibilização da comunidade e a implementação de políticas públicas eficientes que garantam a resiliência dos mananciais envolve tanto o poder público quanto a ação da sociedade em geral.

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