Países do sul global impulsionam uso de criptomoedas

Países da Sudeste Asiático e América do Sul despontam em ranking sobre uso da criptomoeda

 

 A adoção global em busca das melhores criptomoedas cresceu significativamente em 2020, ao longo da pandemia e quando mais pessoas ficaram em casa em frente ao computador. O aumento de 881% foi puxado por países do sul global, com Vietnã, Índia e Paquistão, de acordo com dados da Chain Analysis. A análise da empresa de blockchain classifica 154 países de acordo com métricas como volume de comércio de câmbio, em vez de volume de transação bruta, que normalmente favorece as nações desenvolvidas com altos níveis de adesão criptográfica, seja na esfera profissional ou institucional.

 

Em nota, a consultoria disse que o objetivo do relatório é ter uma imagem mais real possível da adoção de criptomoedas pelo mundo, sobretudo de pessoas comuns, de ações que tenham como foco transações individuais, ao invés do comércio e especulação em larga escala. O relatório, portanto, está de olho no uso da criptomoeda em negociações de menor escala. Além dos países do sudeste asiático, a alta também aparece em economias emergentes,  incluindo Togo, Colômbia e Afeganistão. Enquanto isso, os Estados Unidos caíram do sexto para o oitavo lugar, e a China, que reprimiu a criptografia nos últimos meses , caiu do quarto para o 13º lugar.

 

Segundo o relatório, esse crescimento é estimulado por alguns fatores-chave. Países como Quênia, Nigéria, Vietnã e Venezuela, que subiram no ranking de criptomoedas, têm grandes volumes de transações em plataformas conhecidas como P2P, quando o usuário não é intermediado por uma exchange. O relatório também diz que muitos residentes desses países recorrem à criptomoeda para preservar suas economias diante da desvalorização da moeda local, bem como para enviar e receber remessas e realizar transações comerciais em setores com aceitação da plataforma.

 

Matt Ahlborg, um dos analistas do estudo, disse à CNBC que o Vietnã, que lidera o ranking, é um dos principais mercados para a Bit Refill, uma empresa que ajuda os clientes a viver com criptomoedas usando bitcoin. O país tem incrementado a utilização da criptomoeda em escalas invejáveis, salientou o especialista. Outro país que está crescendo nesse mercado é a Nigéria. Mas, segundo Ahlborg, a situação do país africano é um pouco diferente. “A Nigéria tem um enorme mercado comercial para criptografia. Cada vez mais o comércio é feito com criptomoedas, incluindo o comércio internacional envolvendo a China, um dos maiores parceiros na atualidade.”

 

No Brasil, especialistas no setor dizem que o mercado já possui regulação suficiente para espantar as notícias de golpes e fraudes e conseguir reunir cada vez mais adeptos das criptomoedas. Segundo  Reinaldo Rabelo, CEO da corretora de criptomoedas Mercado Bitcoin, a tecnologia não é o problema, mas quem está por trás dela.  “Na verdade, a culpa dos golpes e das fraudes nunca é da tecnologia, é de quem usa errado isso”, disse. Rabelo, que participou da Expert XP 2021, afirmou durante o evento que a proposta de regulação implementada nos EUA por Joe Biden copia o que já é feito no Brasil. Desde 2018 já existe no país uma determinação da Receita Federal que obriga as exchanges, como o próprio Mercado Bitcoin, a reportarem as informações de negócios feitos na plataforma, algo que os EUA estão tentando adotar agora.

Por outro lado, o especialista defende que Banco Central e a Comissão de Valores Mobiliários autorizem as gestoras para que fundos possam comprar e custodiar suas criptomoedas, algo que ainda não é possível de acordo com os marcos regulatórios atuais. Por outro lado, um ponto que ele sente que é preciso melhorar, e que já está sendo discutido com o Banco Central e com a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), é autorizar as gestoras para que fundos possam comprar e custodiar suas criptomoedas no Brasil, algo que hoje não é possível.

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