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Novembro Azul: o positivo e o negativo, por Maria Giovana

Maria Giovana Fortunato

É sanitarista e vice-presidente estadual do PDT

A campanha Novembro Azul – que surgiu na Austrália e completa dez anos no Brasil em 2021 – tornou-se o principal fio condutor no que diz respeito a informar os homens sobre prevenção em saúde. A campanha, antes restrita à prevenção ao câncer de próstata, atualmente está mais ampla. Hoje, diversas pesquisas, realizadas ao redor do mundo são unânimes: os homens se previnem menos que as mulheres e, como consequência, vivem menos.

Apesar do sucesso do movimento, cujos benefícios são notados no decorrer dos anos, como o aumento na procura de exames preventivos por parte da população masculina, com destaque ao exame de toque, o mais importante (e que sofre mais preconceito) para detectar o câncer de próstata, temos um longo caminho a percorrer principalmente agora no pós-pandemia.

No Brasil, as cirurgias para retirada da próstata por câncer tiveram redução de 21,5% entre 2019 e 2020. Os dados são do Ministério da Saúde, obtidos pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU). As coletas do antígeno prostático específico (PSA) e de biópsia da próstata que, junto com o exame de toque retal, diagnosticam a doença, registraram quedas de 27% e 21%, respectivamente, como mostram as informações do Sistema de Informações Ambulatoriais, do Sistema Único de Saúde (SUS).

Houve diminuição ainda no número de consultas urológicas no SUS (33,5%). As internações de pacientes com diagnóstico da doença caíram 15,7%. As consultas com um urologista também sofreram queda. Até julho, foram 1.812.982, enquanto em 2019 foram 4.232.293 e em 2020, 2.816.326.

Apesar do aumento da procura por exames, o poder público ainda está aquém da sua capacidade. Um exemplo é Americana. A Administração anunciou a campanha Novembro Azul sem contar com urologista na rede, mesmo com uma demanda reprimida de aproximadamente 1.600 pacientes. Que exaltemos a campanha realizada por nossa sociedade civil organizada e que cobremos mais nossos governantes. Estes, definitivamente, não temos motivos para exaltar.

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