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“Não há vida sem correção, sem retificação.”

“Não basta saber ler que ‘Eva viu a uva’. É preciso compreender qual a posição que Eva ocupa no seu contexto social, quem trabalha para produzir a uva e quem lucra com esse trabalho”.

Da infância difícil ao projeto de alfabetização de adultos, da perseguição política e do exílio ao reconhecimento internacional, a trajetória do pensador é fundamental para entender suas ideias e ideais. Formado em direito, Paulo Freire optou por se dedicar ao magistério. No final dos anos 1940 até início dos anos 1960, tomou contato com a realidade de camponeses e operários pernambucanos e se envolveu em projetos de educação popular. Essas experiências foram decisivas para formar a essência de suas ideias e formatar o seu método. Freire teve suas obras traduzidas para mais de 20 idiomas.

Não podemos falar de Educação se não falarmos de amor, assim é o legado de Paulo Freire. Acreditava nos sonhos, na utopia de dias melhores e que somos os responsáveis pela sociedade que temos, por isso devemos lutar para transformá-la sempre no sentido de melhorar e de diminuir as desavenças e as desigualdades econômicas, sociais e educacionais. Ficou conhecido pelos seus estudos em prol da construção de uma Educação que fosse conscientizadora e libertadora, pautada nos sonhos, na esperança e na amorosidade. É provável que você já tenha visto, estudado ou trabalhado em uma escola que carrega o nome do educador. Seja no nome da escola, na prática pedagógica ou na concepção de Educação, seu legado segue vivo no cotidiano de professores e gestores escolares.

O ‘Método de Alfabetização Paulo Freire’ foi entendido não como passos a seguir, diretrizes a persistir, caminhos rígidos a trilhar. Ao contrário, a natureza mesma do ‘Método’ é em si uma compreensão de como ensinar-aprender.

Apesar de ser muito conhecido pela sua experiência em Angicos com a alfabetização de adultos, foi uma pessoa contrária à ideia da transmissão de conhecimento sem reconhecer os saberes do outro. Alguém que pensou o ensino-aprendizado de forma horizontal, como um processo mais democrático, entendia a Educação como algo que está na vida das pessoas e não apenas na escola. Sendo assim, colocava muito a distinção entre esperança como substantivo e “esperançar” como um desejo ativo de construir a autonomia dos estudantes para que eles construíssem sua própria história.

Freire destacava a importância do diálogo no processo de ensino e aprendizagem: “Se um professor sai da sala aula do mesmo jeito, perdeu uma oportunidade de aprender com os seus alunos. O educador aprende com o educando, e o educando com o educador”.

 

Maria Zélia Dias Miceli é educadora do Colégio Santa Amália, em São Paulo, instituição mantenedora da Liga Solidária, organização social sem fins lucrativos.

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