Não basta dizer minha opinião, por padre Luís

Luís Rodrigues Batista

Hoje em dia, podemos emitir opinião sobre todos e quaisquer assuntos. As redes sociais nos permitem disseminar ideias e debates sem nenhum acanhamento. Porém, o argumento: só porque é a minha opinião não é suficiente. Por um lado, é importante garantir o lugar de fala e poder se expressar livremente. Por outro, uma inquietação: significa que temos responsabilidade sobre aquilo que dizemos. A palavra liberta e a palavra também pode oprimir e matar. Precisamos ter clareza que opinião não significa de pronto conhecimento e verdade. É preciso dizer de forma que seja razoável, que haja comprovação, que seja assertivo. As palavras, como as informações, são geradoras de vida ou provocadoras de morte.

 

A ciência, por sua vez, lida com o que pode ser comprovado e testado, como também pode ser modificado, à medida que vão surgindo novas variantes, para usar um termo que temos ouvido com frequência. Não dá para se contentar somente com o senso comum e achar que a opinião de alguns é um conhecimento que abrange toda a realidade. A utilização das redes sociais, por exemplo, sem nenhum critério ético pode levar ao engano. Não é por acaso que temos de combater as denominadas ‘Fake News’. Elas podem induzir ao erro e à mentira. E mentir é pecado.

 

O caminho para ir além das simples opiniões chama-se experiência que se dá pelo estudo sério, pelo acesso à educação e formação profissional compromissadas pela busca da verdade. Não dá para ir contra a ciência, muito menos se posicionar a favor de tendências como se tudo fosse conspiração para ideologização de forças e interesses de grupos que desejam prevalecer sobre uma situação qualquer. Em nossos dias, parece estar em evidência essa luta entre ciência e senso comum ou mera opinião de alguns. Por isso, a importância da consciência crítica, de critérios seguros para a emissão de um juízo sobre a realidade à nossa volta.

 

Por último, a nossa opção deve ser pela defesa, promoção e qualidade de vida para todos no planeta Terra. A ciência aponta caminhos e métodos para seguir. Ela é necessária também para a democracia e tem compromisso com a verdade. As opiniões são parciais, não abrangem o todo e podem nos induzir ao erro. Ora, pela ciência, há muito tempo sabemos que a forma da Terra não é plana, mas arredondada, que a vida é vulnerável a ponto de precisarmos de vacina, que a ignorância no sentido de não ter acesso às informações pode ser letal, como também levar povos e nações a se submeterem a regimes totalitários de governo como tantas vezes ocorreu na história.

 

A ciência aponta caminhos para administrar e salvar vidas. Isso não é só uma simples opinião. Que além da vacina, busquemos informações seguras para nos prevenir contra os ataques do vírus da ignorância, do totalitarismo e da tentação de cometer os mesmos erros do passado. As narrativas sobre os fatos podem ser construídas com critérios da ciência ou de meras opiniões. É importante ver quem está falando e qual o interesse que o move.

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