Modelo fala do assédio pela 1a vez

Milhares de pessoas em todo o mundo, senão milhões, vivem questões pessoais, conflitos internos, auto-estima abalada e pressão social para enquadrar-se em padrões pré estabelecidos de beleza. Mais ainda, muitas meninas convivem diariamente com a questão do assédio, por serem bonitas ou terem corpos mais curvilíneos, que chamam a atenção dos homens, e acaba por gerar constrangimentos pela beleza.
Dentre essas milhões de pessoas, a modelo brasiliense Lien Porto também viveu os altos e baixos da auto-estima, do padrão de beleza imposto pela sociedade, e da auto-aceitação. Conheça sua história de superação, da luta contra o assédio sofrido na infância, :
Como tudo começou?Sempre tive uma genética para ter corpão em relação às meninas da minha idade: bumbum grande, pernas grossas, quadril largo e cinturinha, e isso chamava muita atenção, desde pequena. O que pode ser o sonho hoje de muitas mulheres, na época era meu maior pesadelo. Eu odiava toda a atenção que eu recebia por causa do meu corpo, e que me destacava e diferenciava tanto das outras meninas da minha idade, e que causaria na minha vida um verdadeiro reboliço de emoções contraditórias, insegurança, rebeldia e muito mais
Descobrindo o meu corpoComecei a me desenvolver muito cedo. Desde meus 8 anos de idade eu ja passava por assédios e cantadas de todos os tipos, por homens de todas idades/classes sociais, fosse na rua, shoppings, lojas, etc. Era uma situação muito séria, de uma criança sendo assediada não apenas por meninos da minha idade, mas também por adultos, algo desconcertante e imoral.
Comecei a descobrir o meu corpo na pré adolescência. Minha primeira Blusa de alcinha veio junto com  a minha puberdade, aos 11 anos. Lembro que minha mãe a comprou comigo, por um acaso, numa feira super simples da nossa cidadezinha. Pois bem, a tal blusinha mudou a minha vida. Inesquecível.
A blusa de alça era de um tom vermelho vivo e tinha em amarelo o nome “Zoomp” bem pequeno e no meio, nao havia decote era praticamente reta. Eu amava aquela blusa, me sentia feminina, leve, era uma roupa diferente q deixava meus ombros sentirem o vento e o sol, e pra mim, era simplesmente Perfeita. Mas isso deu margem para mais assédio.
Apesar de na época eu nem ter seios direito, os assédios que já existiam pioraram. Mas eu não queria deixar de usar aquela blusa, que eu amava. Então passei a combiná-la com roupas que escondessem ao menos aquele contorno que mais chamava atenção, o bumbum. Usava saias super rodadas, com tecido mais duro, para não delinear o corpo, ou calças extremamente folgadas, muitas até masculinas.  
Aceitando o meu corpoE assim vivia, sempre escondendo meu corpo. Quando fiz 15 anos, já não aguentava mais. Aquilo me sufocava, sempre ouvia críticas de familiares próximos e colegas sobre meu estilo estranho de vestir. Eu sabia q uma hora teria que me libertar, e encarar a sociedade naturalmente como todas fazem. E assim aos poucos fui me aceitando, até finalmente chegar a usar calça jeans colada, e me amei (risos).
Lien chegou a pesar 92Kg (Foto: Arquivo Pessoal)No entanto, após aprender a lidar com essa insegurança, passei a pecar feio com minha alimentação principalmente. Eu não tinha um direcionamento “mais Fitness” da familia, até que os fast foods, frituras, massas, passaram a ser meu dia a dia. E percebi que ja não era tão assediada na rua como era antes. Os homens ainda me olhavam com certo interesse, mas nada comparado a parar o trânsito como antes.
 Procurando direcionamentoTive uma fase muito delicada e problemática,  envolvendo “milhões” de tipos de dietas e também transtornos alimentares, e cai num verdadeiro loop de engordar e emagrecer. Cheguei a pesar 92kg, e cansei de tantas loucuras. Decidi estudar e entender por conta própria, do que de fato necessita e como  funcionava meu corpo.
E mesmo sem malhar, passei a escolher melhor o que comer, porém meu ritmo de vida no meio de amigos e familia sempre envolviam os famosos fast foods, pizzas etc. Em meio a tantas dificuldades para me manter mais saudável e de forma  mais acessível e prática possível, em certo momento vi a necessidade de praticar atividade física, pois meu corpo simplesmente estagnou, não perdia nem ganhava mais peso. Desta forma finalmente cheguei aos tão sonhados 67Kg, e junto com ele a necessidade de uma reparação nas mamas devido ao grande emagrecimento. 
A modelo Lien Porto (Foto: Divulgação)Os tropeços da vidaEm meu pós operatório voltei a comer de forma irregular. Após certo período fiz uma viagem na qual infelizmente passei por um acidente, um capotamento, e tive de fazer algumas cirurgias, e herdei uma e outra cicatriz (quase imperceptíveis), que me deixaram com auto estima zero. Parei de vez com tudo. Sem malhar e me alimentando mal, e tornando a bebida mais presente do que devia.
Foi ai que me vi no espelho, e já não me reconhecia mais. Sempre fui muito criativa e cheia de garra, então precisava usar desse meu combustível e fazer aquilo que havia deixado de lado: me cuidar!
Aprendendo a se amarVoltei a cuidar de mim, e a me amar de verdade. As cantadas/buzinadas/olhares diretos são a coisa mais normal do mundo pra mim e já fazem parte do meu dia a dia. Não tenho mais problemas com isso. Hoje sou muito bem resolvida e tenho orgulho do meu corpo.
Aprender a se aceitar é a parte mais importante! O restante vem naturalmente com o amor que você vai ter por si próprio.
Ai você me pergunta: mudaria alguma coisa em seu corpo?! Qualquer coisa que exista q jamais se permita transformar simplesmente existe, mas aquele q se permite viver novos sonhos e vontades, evolui plenamente a cada nova tentativa.

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