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Jornalista relata vida pós cirurgia bariátrica

Há três anos tomei a decisão mais difícil da minha vida: emagrecer ou continuar fora do padrão. 
Pela foto, já devem imaginar o que escolhi. Me coloquei na condição de um animal indo para o abate, entrei em um centro cirúrgico e sai de lá pronta para enfrentar a pior das dietas. 
Fiz isso para agradar você.
Você que sentiu dó quando eu fiquei com o quadril apertado na cadeira do buteco, você que riu quando eu peguei salada no restaurante da faculdade achando que era uma dieta e você que riu quando eu comprei uma coxinha, você homem que sentiu vergonha de admitir que no fundo me achava bonita, você menina tola que fez piada de mim na rodinha das suas amigas, você vendedor de loja que repetiu inúmeras vezes que infelizmente não tinham “meu tamanho”, você que nunca tentou conversar comigo porque acreditava que minha gordura era maior que minha personalidade, você que não sabia o quanto seu bullying me fazia chorar depois da escola, você que me fez eu passar anos usando moletom mesmo no calor, você que me escolhia por último nas aulas de educação física, você que me mandou dietas malucas como se estivesse ajudando e, por fim, você, que parece que esqueceu que eu já fui gorda e vem me dizer que estou linda. 
Para alivia-los gostaria de dizer que adoro o que me tornei. Apesar de hoje ser menos saudável do que quando gordinha (pasmem defensores da magreza como se fosse supersaudável) aprendi a conviver com meu novo corpo. 
Minha nova forma física fez com as pessoas se aproximassem para conhecer o que sempre fui: uma pessoa cheia de manias, com uma personalidade forte, poucos anos de vida e muita história para contar.A liberdade é uma teoria linda, mas na prática cá estamos nós, aprisionando as pessoas dentro de nossos padrões.

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