Gourmet, revolta-coxinha, Elias e o século XXI

Norbert Elias definiu brilhantemente que parte do motor do processo civilizatório é a necessidade que a elite política e econômica possuía (possui) de se diferenciar. Em suma, os mais ricos precisam mostrar que têm mais.

Daí advém o refino- uso de talheres, talheres mais caros, roupas finas, estilistas, carros, carros caros, carros exclusivos.    
O capitalismo tem uma necessidade concorrente à dos mais ricos. Ele precisa gerar riqueza, e criar consumo.
E consumo para o capitalismo quer dizer massa, muita gente consumindo, em escala.  
Então há a equação- consumo de massa x exclusividade.
O consumo de massa ainda caminha com o particionamento do consumo (Brics, adultescente, gays e mais). Esse particionamento parece não ter dado conta e o Capitalismo precisou se sofisticar mais uma vez.  
Por um bom tempo, os VIPs, exclusivos, Jetlags da vida estavam garantidos acima dos demais. Mas seu lifestyle também precisava ser imitado.
Hoje, o universo gourmet parece ter inserido na sociedade de consumo o toque ‘vip’ que faltava. ‘Vou me diferenciar’, diz o outro. Seja na barba, na cerveja, no mergulho ou na bike, a onda é achar seu caminho gourmet.
Quem ganha com isso é quem se especializa e encontra novos caminhos para o consumo.
Seja na paleta mexicana ou no sal do Himalaia, o consumidor quer antes se diferenciar para se incluir de modo renovado na sociedade de consumo.
AGORA O RISCO- Será que essa onda conservadora (essa sim pós 2014), paulista e classe média, carrega algo de gourmet no sentido exposto acima? Certamente que sim, mas a gourmetização capitalista nos atinge a todos. 
O quanto ela- gourmetização- trabalha (ajuda) a diferenciar o pensamento mais iluminado de seguidores de Bolsonaro e Alexandre Frota, ainda precisa ser (ao menos se iniciar) discutido.

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