Em busca de um caminho

Escolha uma sequência de seis números. Para a maioria das pessoas, não terão significado algum. Imagine agora informar a um grupo que são os números sorteados que dão acesso a uma soma milionária. O significado deles se torna outro. Esse ensinamento está presente no filme “Nunca deixe de lembrar”, concorrente alemão ao Oscar de Filme Estrangeiro de 2019.

A obra é baseada livremente na trajetória do artista Gerhard Richter e na vivência que ele teve em Düsseldorf com Joseph Beuys, a quem é atribuída a analogia que abre este texto. O diretor Florian Henckel von Donnersmarck caminha justamente pelas veredas que mostram como experiência de vida podem ser mais ou menos significativas.
O protagonista, nascido na Alemanha Oriental, ama, desde criança, as obras de arte abstratas e expressionistas consideradas impuras e imorais pelo regime socialista. Consegue ir para Alemanha Ocidental, onde precisa se reinventar. ?? das histórias familiares ligadas ao nazismo e do socialismo soviético que retira a força para mesclar fotografia com pintura.
Dá assim à sua trajetória de vida universalidade, mostrando que o maior segredo da arte de qualidade pode estar em dar a cada passo pessoal uma dimensão coletiva e épica, pois há conexões entre aquilo que cada um sofre e faz e o conjunto da humanidade como um todo. Nesse sentido, o filme alemão nos ajuda a encontrar nossas próprias veredas existenciais.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

Gostou? Compartilhe!

Compartilhar no facebook
Facebook
Compartilhar no whatsapp
WhatsApp
Compartilhar no twitter
Twitter
Compartilhar no telegram
Telegram
Compartilhar no linkedin
LinkedIn

Siga-nos

PUBLICIDADE

PUBLICIDADE