Despolitização e burrice, por André Henrique

A Arena Corinthians foi palco no jogo de estréia da seleção brasileira de xingamentos direcionados por uma parcela da torcida a presidente Dilma Rousseff. As agressões foram repudiadas por meio de declarações e artigos nos quais adversários e aliados hipotecaram solidariedade a insultada.  Quase 100% das lideranças políticas condenaram os que mandaram a presidente ir tomar naquele lugar.
 O feitiço voltou na testa dos feiticeiros. A tentativa de achincalhar a presidente desencadeou as condições para o petismo colocá-la como vítima da ???elite branca de São Paulo??? – que teria ódio do ???governo do povo???.  Lula não deixou por menos: o ex-presidente discursou ao lado da criatura e tratou-a como a Geni do século XXI; na convenção que oficializou a candidatura de Alexandre Padilha ao governo de São Paulo o guia enfatizou a divisão ELITE x POVO e tratou o PSDB como a forma de ???coxinhas???. Narrativas políticas reproduzidas e espalhadas pelas militâncias na internet. Narrativas que encontram respaldo na intelligentsia brasileira. Conclusão: o petismo ganhou da súcia mal-educada um presente para socorrer a presidente com água até o pescoço. A chusma que atacou Dilma demonstrou desqualificação política e falta de educação. Terminou isolada, graças a seu repertório das cavernas. A candidata do PT não contava com condições tão positivas desde os tempos em que Cabral aportou suas caravelas em terras de Vera Cruz. As eleições estão longe, é verdade. Mas a política é feita de circunstâncias. E, nas atuais, conter a hemorragia que leva para o beleléu um pontinho da presidente a cada pesquisa é a prioridade do momento para o PT. A fraqueza de Dilma Rousseff afugenta aliados regionais e reforça o coro pelo ???volta, Lula???. O ponto nevrálgico: o ???Ei Dilma vai tomate cru…??? acabou sendo útil porque criou um fato político em cima do qual o PT pode trabalhar para fortalecer Dilma e usar e abusar de Lula no palanque. Se alguém ainda insiste que a baixaria é um método inteligente e democrático de fazer política, pode colocar o chapéu com orelhas pontudas e seguir sem demora para o canto da sala. Sem mais.

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