Cotil vai adotar cotas já este ano

O Cotil (Colégio Técnico de Limeira Unicamp) implantará o sistema de cotas étnico-raciais e sociais para o ingresso dos alunos a partir de 2021. A mudança foi deliberada hoje em reunião do Conselho Universitário e valerá para o próximo exame de seleção.

Serão reservados 35% das vagas de cada curso, as quais serão preenchidas por estudantes pretos, pardos e indígenas que tenham cursado todo o ensino fundamental II em escola pública. Outros 35% das vagas serão reservadas para alunos que tenham feito todo o ensino fundamental II em escola pública, e os demais 30% serão destinadas à ampla concorrência.

“A proposta de cotas para ingresso nos colégios da Unicamp, mais do que democratizar o acesso, reflete uma preocupação de resolver o problema da desigualdade em nosso país. As cotas representam os motivos de sua própria existência”, declara o diretor geral do Cotil, José Roberto Ribeiro.

Vários estudos embasaram a decisão, como o levantamento de dados populacionais e domiciliares e censos educacionais, sobretudo do ensino fundamental II (6º ao 9º ano), que antecede o ensino médio oferecido pelo colégio, juntamente com seis cursos técnicos. “Em 2018 uma comissão interna, composta por cinco docentes, avaliou também o perfil dos estudantes matriculados no Cotil e concluiu que a maioria é branca e vinda de escola particular”, explica a professora Rosmari Aparecida Ribeiro, que presidiu os trabalhos. O levantamento mostrou que em torno de 70% dos alunos são oriundos de escolas particulares. “Passava da hora de propor medidas inclusivas com distribuição justa das vagas. Como somos um colégio público, é esperado que a diversidade da sociedade esteja representada nele”. Segundo ela, implantar as cotas sociais e raciais é a forma mais plausível de o colégio assumir sua responsabilidade social para que toda a sociedade esteja representada dentro da instituição. “Estamos agindo, de forma ativa, mexendo em um assunto delicado para a sociedade que ainda resiste quando levantamos essa bandeira de uma minoria de direitos, mas majoritária”.

Dados do Censo da Educação Básica de 2017 demonstram que o universo de alunos do ensino fundamental ll concentra-se essencialmente em escolas da rede pública, com 80,5% das matrículas do estado de São Paulo e 79,1% nas regiões de Campinas e Piracicaba, que abrigam os colégios técnicos de Campinas e Limeira. Com as cotas, portanto, o objetivo é buscar diversidade acadêmica, diminuir a desigualdade do acesso ao ensino público de formação técnica e, ao mesmo tempo, assegurar os referenciais de desempenho escolar como mecanismo de classificação para os ingressantes.

Gostou? Compartilhe!

Compartilhar no facebook
Facebook
Compartilhar no whatsapp
WhatsApp
Compartilhar no twitter
Twitter
Compartilhar no telegram
Telegram
Compartilhar no linkedin
LinkedIn

Siga-nos

PUBLICIDADE

PUBLICIDADE