Baixinho, corvos e teto de vidro

O deputado federal Romário especializou-se em bater no governo federal como se este fosse o satã e o craque a virgem mais pura de Brasília. Rendeu. O ex-atacante passou a ser aclamado nas redes sociais como o justiceiro da moral. O exemplo. Agora, por força das circunstâncias, e por ironia do destino, o candidato ao senado foi parar na chapa do PT. Os corvos que Romário criou agora o acusam de vendido.

 Romário não está vinculado à política tradicional e isso o ajuda a angariar sucesso com suas frases de efeito despidas de qualquer convite à reflexão e encharcadas de demagogia. O parlamentar ataca, como nos tempos de pequena área: ???é só roubalheira, pessoal???. Os torcedores vão ao delírio. O baixinho poderia fornecer elementos para que seus seguidores pudessem entender melhor como funciona a estrutura do futebol brasileiro. Seria mais aproveitável. Ainda há tempo.
O sistema político brasileiro gera distorções graves. Partidos, como meios de sobrevivência, apenas. Alianças, sem o menor critério ético e ideológico. Poder pelo poder. Provincianismo. Fisiologismo desconectado de compromissos coletivos. Coisas repugnantes que poderiam ser amenizadas com reformas estruturais, mas não só, a crise da política é mundial, e gera vícios, para superá-los é necessário fortalecer os valores republicanos, por meio de debates, mobilizações e diagnósticos precisos. Gritaria moralista gera descrença e injustiça; despolitiza.  

Romário não é vendido. Luta pelos direitos dos deficientes e por outras causas interessantes. Tem sido firme na batalha contra a FIFA. Denunciou esquemas escusos nos meandros do esporte, a começar pela Federação de Vôlei. O baixinho só precisa calibrar seu ímpeto investigativo e fugir do purismo. O peixe foi parar na rede do PT por circunstâncias estruturais e não por venalidade. Os algozes do baixinho não entendem isso porque são educados pela pedagogia “denuncista”, reinante na imprensa. Pedagogia da qual Romário se vale.   

 Há vinte anos, PT e PSDB cedem espaços a partidos de centro, na luta pela presidência da República, todavia, mal ou bem, as duas forças representam um projeto. Vários políticos, de diversos partidos, com carreiras políticas promissoras e à frente de políticas públicas magistrais, fazem alianças incoerentes porque são forçados pela realpolitik. Estão perdoados. O problema não é moral, é estrutural. Posar de vestal não ajuda e acaba por funcionar como armadilha.
 Moralista não consegue sobreviver com aura de santo muito tempo na política. Basta um errinho, e os adversários jogam no ventilador. Basta uma incoerência, e os adversários jogam no ventilador. Basta um traveco, e os adversários jogam no ventilador; não é mesmo, Romário? Bastam telefonemas e presentes de lobista, e os adversários jogam no ventilador; não é mesmo, Demóstenes Torres? Basta uma reforma cara no banheiro do Supremo, e os adversários jogam no ventilador; não é mesmo, Joaquim Barbosa? Bastou o chamado mensalão, e o partido mais ???limpinho??? do planeta mostrou que em suas entranhas também havia sujeira; não é mesmo, PT?
?? como diz o ditado: quem não tem teto de vidro, que atire a primeira pedra. Romário precisa parar de alimentar corvos, ou terminará devorado.  

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