As Polícias Militares, os Governadores e o Presidente

 As Polícias Militares, os Governadores e o Presidente

As polícias militares ganharam as primeiras páginas dos principais jornais do Brasil, e não foi em razão dos números baixos da criminalidade.

Movimentos grevistas que ameaçam ou atingem parcialmente vários estados brasileiros chamaram a atenção para a relação complicada que existe entre as corporações, seus governadores e o presidente da república. Se por um lado Bolsonaro é tido como um defensor das polícias, o que seria bom para as corporações, por outro, sua popularidade entre os policiais militares parece configurar ameaça a vários governadores, já preocupados com suas aspirações no cenário local ou, em alguns casos, no cenário nacional.
A proliferação de movimentos de reivindicação salarial em prol das polícias militares, quase sempre não atendidos ??? ou atendidos de forma insuficiente ??? sugere que os governadores tratam essas reivindicações em ???banho-maria??? ??? quando não com desdém, pois sabem que os valores básicos dos militares estaduais, a hierarquia e a disciplina, conduzem suas ações e impedem que sejam tomadas medidas drásticas, mesmo sendo alvo de políticas remuneratórias vexatórias, na maioria dos estados.
De tempos em tempos, surgem movimentos mais contundentes, principalmente no nordeste, onde a presença dos partidos de esquerda no governo dos estados, bem como a dependência das instituições policiais de recursos do governo federal ??? leia-se aqui, do PT ??? permitiram a fragilização da formação dos militares estaduais, com a presença de muitos professores ideologicamente orientados ??? caso da Polícia Militar do Ceará ??? o que possibilitou o surgimento de lideranças politizadas no seio da tropa.
Aliado a isso, observa-se um perigoso movimento que deseja a redução dos valores e deveres dos militares estaduais, visando a aproximá-los dos valores e deveres dos funcionários públicos e descaracterizando a condição de militar desses profissionais, o que é perigoso para os policiais militares e, mais ainda, para a sociedade.
Os motins e greves trazem prejuízos enormes à população, que se vê à mercê de criminosos ??? de todos os tipos. No Ceará, por exemplo, somente nos primeiros dias de paralisação parcial dos policiais militares, quase 100 pessoas foram assassinadas, sem contar os demais crimes cometidos.
O cenário, mesmo conhecido, tem um componente novo: o bolsonarismo!
No movimento a que assistimos no Ceará, as notícias dão conta de que, pelo menos por lá, a força política que o alimenta tem viés de direita ??? se assim podemos entender o bolsonarismo ??? e não de esquerda, como ocorreu na maior parte dos movimentos grevistas ocorridos no seio das instituições policiais-militares, anteriormente. O bolsonarismo trouxe com ele a expectativa de realce político pelo uso de designações militares à frente do nome do candidato, fazendo com que as oportunidades surjam e os oportunistas não resistam aos holofotes. A qualquer custo!
E os governadores?
Bem, eles continuam contribuindo ativamente para o ???caldeirão ferver???, colocando ???lenha na fogueira???, ao tratar os policiais militares como submissos e subservientes; ao ignorar seus pleitos legítimos; ao fazer política com os resultados alcançados por homens e mulheres que oferecem suas vidas para defender a população.
Hoje, não resta dúvida alguma de que os policiais militares se sentem usados pelos governadores, que arrotam a redução dos índices criminais com base na compra de viaturas ou fuzis, como se isso possibilitasse o feito. Os governadores se esquecem de quem dirige a viatura e empunha o fuzil: homens e mulheres que estão trabalhando no limiar de suas forças. Aqui em São Paulo, por exemplo, o claro no efetivo ??? que agora se está tentado completar ??? exige o desdobramento dos policiais. Para isso, há um grande e perverso incentivo do governo: salários baixos dão o estímulo necessário para que os policiais ???vendam??? suas folgas ao próprio governo, para realizar escalas extras e permitir a manutenção dos índices de segurança razoáveis. Mas o preço a ser pago é alto: a saúde, a sanidade e a segurança dos policiais militares.
Mas, mesmo esses índices uma hora param de cair. Por quê? Porque o efetivo está extenuado! Não tem mais de onde tirar forças. Além disso, promessas de campanha que deram esperanças a esses homens e mulheres, agora se tornam mentiras que ressoam nos ouvidos desses bravos combatentes. Tudo tem um limite!
E quando o limite é alcançado, as cenas que se veem não são as mais bonitas! Valores, deveres, e o juramento de defender a vida de outrem com a sua própria, fazem parte do cotidiano dos policiais militares. E eles encaram tudo isso com muita seriedade. A mesma seriedade que esperam por parte dos governadores ??? os Comandantes em Chefe dos militares estaduais ??? na condução dos assuntos pertinentes a esse contingente abnegado.
Tal como se dá em nossas vidas, as Instituições, por vezes, se veem diante de dilemas e desafios. Assim é, agora, com as polícias militares. Acuados pela necessidade de superarem – de uma vez por todas – a precariedade das políticas salariais praticadas pelos governos estaduais e insuflados por vozes oportunistas – que buscam projeção em certas tendências político-ideológicas hoje proeminentes, os polícias militares procuram manter o foco em sua razão de existir: a defesa da sociedade!
Para isso, a hierarquia, a disciplina, a ordem e a obediência à lei emergem como valores garantidores dessa vocação. Hoje, os militares estaduais, pelo menos os paulistas, trabalham movidos pela certeza de que a população depende deles e por isso, e só por isso, não a deixarão na mão.
Mas, como foi dito, tudo tem limite!

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