Artigo: Margaret Thatcher, a Dama Liberal

A Dama de Ferro ou a filha do quitandeiro, Margaret Thatcher foi uma das governantes mais longevas da Inglaterra, sendo Primeira-Ministra entre 1979 e 1990 e que teve papel crucial na mudança da geopolítica global, quando ajudou a derrubar o regime comunista na ex-URSS e vencer a Guerra Fria, bem como ajudou a implementar liberações e desregulamentações na economia, políticas estas conhecidas por neoliberalismo.

Para o mundo, Lady Thatcher, em dobradinha com Ronald Reagan, então presidente dos EUA, impôs uma derrota aos regimes comunistas do Leste Europeu e praticamente obrigou o mundo a adotar políticas econômica neoliberais, inclusive no Brasil, que iniciou nestas através do ex-presidente Fernando Collor e as aprofundou com Fernando Henrique Cardoso. Sua posição de liberal econômica foi demonstrada durante seus anos como parlamentar, lutando contra aumento de impostos e controles de renda, bem como Ministra da Educação, quando trabalhou para cortar gastos na sua pasta. Este também era o seu lado filha do quitandeiro, a de dona de casa que conhecia os preços dos produtos nas ruas, o lado que a fez batalhar contra e vencer a inflação quando foi Primeira-Ministra. Austeridade era uma característica sua.

O lado Dama de Ferro concretizou-se com a derrota da Argentina na Guerra das Malvinas e após sobreviver a algumas tentativas de assassinato via ações terroristas (praticadas pelo IRA, grupo que lutava pela independência da Irlanda). A vitória da Guerra das Malvinas permitiu que ela continuasse no governo mesmo após impor a liberalização da economia inglesa, o que aumentou o desemprego na Inglaterra (uma brincadeira argentina fala que os ingleses foram os perdedores da guerra, pois tiveram de aguentar Thatcher por mais oito anos enquanto os argentinos puderam mandar embora a ditadura militar então vigente).

Defensora das privatizações, foi dura com os trabalhadores e sindicatos. Greves em 1984 foram marcadas por forte repressão policial, sendo os mineiros os maiores perdedores, quando desativou e privatizou minas estatais. Com os irlandeses, sempre teve a ideia de que a Irlanda deveria pertencer ao Reino Unido. Fez prisioneiros e alguns morreram após uma greve de fome na qual ela não cedeu.

Condenou o apartheid sulafricano mas resistiu em adotar sanções econômicas alegando que milhares de negros perderiam seu emprego e que as sanções não seriam efetivas. De fato, havia relações estreitas entre empresas inglesas e sulafricanas, sendo estas fortes investidoras na Inglaterra. Na China negociou com Deng Xiaoping a concessão de status de região administrativa especial de Hong Kong por mais 50 anos, mas não conseguiu manter a região como colônia inglesa por mais cem anos.

Foi eurocética, não aceitando principalmente a união econômica e monetária com o resto da Europa e a extinção da libra esterlina. Com isto teve atritos com François Mitterrand (que afirmou que ela possuía os olhos de Calígula) e Helmut Kohl (a quem condenava por ter reunido as Alemanhas Ocidental e Oriental). Isto se devia ao temor de uma Alemanha forte, comandando a Europa, sobrepujando a Inglaterra. ?? mais ou menos o que acontece hoje. Outro motivo é sua visão monetarista: na sua opinião não dava para ter uma moeda comum sem um orçamento comum. Outra coisa que acontece com a Europa hoje: está presa na armadilha monetária.

A sua grande vitória foi o mundo ter adotado as suas medidas econômicas: privatizações e liberações econômicas. Sua cartilha econômica foi reproduzida desde que saiu do poder em 1990. E na medida que o mundo lembrava de sua cartilha, Lady Thatcher foi esquecendo, com seus problemas de memória e demência. E em 08 de abril de 2013, a Dama Liberal se foi.

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