Artigo: Igreja e a ação social

Está em vigor em nossos dias, no seio da nossa cultura cosmopolita mundial, que leva o nome de globalização, uma tal tendência que desconhece e chega a contestar o direito da Igreja de fazer suas tratativas na área social e de atuar neste campo.

A Igreja é depositária de uma mensagem de esperança para a sociedade. O Reino que Jesus inaugurou, não está nos limites de nossas comunidades, mas apresenta-se para todos os que cremos que a felicidade de cada um irá depender da felicidade comum, que se expressa em relações mais plenamente humanas.

A Igreja é perita em humanidade e anuncia que a salvação integral do homem é meta a ser alcançada e envolve a todos. Daí que a evangelização contempla a justiça, a promoção da dignidade da pessoa humana e a defesa dos direitos fundamentais da pessoa humana.

A fé operosa se chama caridade e quando se torna ação é serviço, afirmava Madre Teresa de Calcutá. Uma fé sem obras, sem compromisso, sem superação das injustiças é uma fé morta.
A vida cristã caracteriza-se por ser transformadora, catalisadora de mudanças para a plenitude da pessoa humana, do contrário seria alienação.

Não fica, desta forma, esquecida a perspectiva escatológica, a abertura para a consumação da história na pausaria, mas vale lembrar que a vida eterna, plena e abundante, já teve início e deve ser verificada em sinais sensíveis e visíveis da ressurreição, da fraternidade e do amor. Nós, cristãos, vamos ao encontro dos pobres para celebrar integralmente com eles o banquete do Reino.

Incentiva-nos hoje, em nossa missão social, olhar o passado de nossa comunidade, a então Paróquia de Santo Antônio, de Americana que, a partir do exemplo e do apelo levantado por Monsenhor Maggi e outros sacerdotes, estendeu suas mãos e voltou-se a realidade sofrida que assolava várias famílias que não tinham acesso à dignidade de uma alimentação segura, ao trabalho como fonte de sustento e o amparo à infância e adolescência.

Surge assim o Dispensário de Santo Antônio e dele a Cruzada das Senhoras Católicas e um pouco depois a Casa da Criança (Sasa). Estas entidades que ainda hoje atuam, não estão mais, há vários anos, vinculadas ao Santuário de Santo Antônio de Pádua, por alterações em seus estatutos. Consultando o Livro Tombo da Paróquia e um dos diários de Monsenhor, logo percebe-se a ousadia deste inesquecível sacerdote em propor a sociedade da época tal atenção e os frutos que rapidamente foram colhidos em nossa cidade e região.

Hoje o Santuário de Santo Antônio atende os moradores de rua do centro de Americana, com periódicas visitas e auxílio material, abraçou a manutenção da Casa de Missão Jeito de Ser, com seus jovens em recuperação da drogadição e oferecerá parte dos recursos captados na Festa do Padroeiro deste ano para a Apam e a Associação de Assistência a Criança com Câncer de Americana, como minúscula, mas orientada e séria participação efetiva na reconstrução de vidas. Além disso, está sendo criado o Fundo de Misericórdia que irá ao encontro de situações agravantes ainda maiores.

Queremos anunciar a globalização da esperança e da solidariedade, de tal maneira que nossas atitudes espelhem as bem aventuranças anunciadas e vividas por Cristo. Queremos, de forma muito simples e desinteressada, vocacionados que somos a esperança, colaborar para que se crie, em nossa cidade, quanto mais, uma cultura do bem viver e mais, do bem conviver, e assim, a vida seja sagrada e mais respeitada.

Muito temos a aprender do exemplo de Santo Antônio, do pão não só material que oferecia aos pobres de seu tempo, mas do pão da dignidade e que ele pedimos humildemente, interceda por todos os que já estão conosco nesta nobre tarefa e aqueles que serão chamados.

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