Alimentos sobem menos e inflação fica em 0,9%

O Índice de Preços ao Consumidor – Amplo (IPCA),considerado a inflação oficial do país, ficou em 0,9% em fevereiro, depois de subir 1,27% no mês anterior, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No ano, o índice acumula alta de 2,18% e, em 12 meses, de 10,36%.
 No segundo mês do ano, o IPCA foi fortemente influenciado pelo comportamento de dois tipos de despesas, com educação e com alimentos. Enquanto a alta dos gastos relativos à educação subiu – de 0,31% em janeiro para 5,90% no mês seguinte -, reflexo do período de início das aulas, o avanço dos preços dos alimentos caiu pela metade (de 2,28% para 1,06%). 
???Apesar de a inflação ter fechado o ano de 2015 em mais de 10%, o repasse não chegou a 8% [nos cursos regulares]. Ficou no mesmo nível dos anos anteriores. Isso mostra uma certa cautela em repassar [esses aumentos]. O que se está vendo nesse ano nas mensalidades escolares é que algumas até recuaram. 
Vimos reduções em relação ao ano anterior e já notícias de muitas negociações de pai de alunos no objetivo de reduzir o reajuste, dada a dificuldade, o desemprego e tudo mais. Há também alunos que vêm saindo de escolar particular para pública e pessoas se mudando para cidades menores???, disse Eulina Nunes dos Santos, coordenadora de índice de preços do IBGE.
Assim como os alimentos, também desacelerou a variação de preços de transportes (de 1,77% para 0,62%), puxada pela queda de 15,83% nas passagens aéreas. Por outro lado, subiram os preços de ônibus urbanos (2,61%), ônibus intermunicipais (2,17%), etanol (4,22%) e gasolina (0,55%).
Eulina Nunes explicou que a queda dos preços das passagens áreas ocorreram por causa da baixa demanda e que, junto com a energia elétrica, houve uma contribuição de 0,17 ponto percentual no índice do mês de fevereiro. ???Empresas áreas tentando negociar de alguma forma e colocando a questão de grande redução do consumo, junto com a energia. As contas tiveram queda de 2,16% em fevereiro considerando a taxa extra cobrada da bandeira tarifária vermelha, que passou de R$ 4,50 para R$ 3 em cada 100 quilowatts consumidos. Teve peso grande a questão da redução da bandeira [na inflação de fevereiro].???
???No caso dos alimentos – além da redução do consumo – tem a questão da safra. O primeiro semestre se caracteriza pela entrada da safra no mercado. Tem oferta maior, como é o caso da cebola, batata e tomate. Então, a oferta está maior com uma certa limitação do consumo.???
O que ficou mais barato de janeiro para fevereiro foram os gastos relacionados à habitação (de 0,81% para -0,15%), sob influência das contas de energia elétrica (-2,16%). “Este comportamento se deve à redução no valor da bandeira tarifária vermelha, que passou de R$ 4,50 para R$ 3,00 por cada 100 kilo watts-hora consumidos, a partir de 1º de fevereiro”, disse o IBGE, em nota.
???Foi um recuo bastante significativo [de 1,27% para 0,9%] ainda mais se a gente observar que em fevereiro é o mês em que é apropriado o reajuste das mensalidades da educação, que é um reajuste pontual. Em geral, os meses de fevereiro de cada ano são fortes de educação. E com isso, a taxa dos últimos 12 meses também apresentou recuo???, analisou Eulina.
A coordenadora ressaltou, contudo, que o resultado do mês em 2016 – apesar de ter sido menor do que o de fevereiro de 2015, que foi impactado na época pelo reajuste da energia elétrica ??? é uma das maiores taxas para o mês na série histórica. “Não significa que os preços caíram, desaceleram, mas o nível de preços continua alto.???
Na contramão, ganharam força os avanços de preços de saúde e cuidados pessoais (de 0,81% para 0,94%), comunicação (de 0,22% para 0,66%), de artigos de residência (de 0,45% para 1,01%) e de vestuário (de -0,24% para 0,24%). Apesar de haver mais grupos que registraram aceleração em vez de desaceleração, o IPCA não seguiu a tendência de alta porque o peso dessas despesas no cálculo do índice é pequeno. G1

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