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Agressões a Ciro Gomes: Freud não explica, Por C. Faeddo

Observando os ataques de ordem física e verbal sofridos por Ciro Gomes nas manifestações do último dia 2 de outubro, nos parece interessante perceber como, ainda em um tímido início de pré campanha para 2022, a toada vergonhosa que pode dar o tom da próxima campanha eleitoral.

No nosso sentir, a figura de Ciro Gomes tem se tornado um incomodo para determinados e conhecidos setores da política nacional.

Chega a ser tosca a tentativa de estigmatizar a todo custo a pessoa de Ciro, não por suas ideias em concreto, mas por seu temperamento. Poucos discutem suas ideias.

Geralmente quem debate o plano, não opina sobre a pessoa. A não ser que a pessoa ofenda direitos ou tenha um passado reprovável no currículo. Mas se não estigmatizar a pessoa com “achismos” e subjetivismos, como o sofista alcançará seu objetivo de desmontar a candidatura de Ciro?

É de se recordar a candidatura de Antônio Ermírio de Moraes ao governo de São Paulo em1985. Moraes sofreu uma campanha sórdida que isolava alguns casos específicos dentre milhares de trabalhadores da Votorantim e grupo, para responsabilizar a pessoa de Antônio Ermírio e destruir sua reputação.

Depois daquela eleição, Antônio Ermírio prometeu não se envolver mais com política. E assim o fez, passando a se dedicar somente ao trabalho e seu amor pelo teatro.

Mas quais as forças que afastam pessoas com projeto de nação da política? Certamente são os ataques aéticos de adversários, que mais parecem inimigos, e alguns outros que têm histórico de vida em cargos de confiança indicados por notórias figuras das velhas lideranças políticas.

São, na maioria, críticos da pessoa Ciro aqueles que almejam obter um cartão corporativo governamental, ou até mesmo um bom contrato com o governo. É uma singela resposta, ainda que haja outros fatores, mas no geral, em relação aos ataques travestidos de opinião, são estes os motivos.

O mais comum é tentar colar em Ciro a imagem de pavio curto; ou seja, característica de seu temperamento, especialmente quando previamente e maliciosamente provocado.

Algumas acusações já são clássicas e de uma ingenuidade ímpar: Ciro foi para Paris e Haddad perdeu em 2018, ainda que Ciro tenha voltado para votar no petista.

Esquecem-se que Haddad foi escorraçado por Dória no primeiro das eleições em São Paulo para prefeito em 2016, na primeira onda do antipetismo.

Esquecem-se, desconhecem ou fingem desconhecer, que a subida da extrema direita foi uma resposta ocorrida em diversos países em razão da falência dos antigos projetos da esquerda, como ocorreu nos EUA, Turquia, Hungria, Polônia, e com a subida do Vox, na Espanha. É um argumento risível.

Slavoj Žižek descreveu muito bem esse quadro em “O ano em que sonhamos perigosamente” (Boi Tempo, 2012), antevendo estes movimentos e como o capital se desvencilhou do trabalho e da burguesia. Mas isto é assunto para outro momento.

Dá mesma forma, arguir Bolsonaro como um ignorante?  Lula, como um elemento que se jacta de não ter estudado? Que propagandeia ser um coitadinho que merece tudo por ter vindo de uma família pobre, e por isso pode salvar a nação? E os demais? Dória, um almofadinha de calça apertada? Eduardo Leite sofrerá ataques homofóbicos? Este será o nível da campanha? São estas as propostas e debates de plano de governo? Certamente também são colocações reprováveis.

O que é importante saber será como o pré candidato imagina e planeja: relações de trabalho, educação, saúde, previdência, emprego, indústria, serviços, meio ambiente, negócios e reforma agrária, direitos humanos, como alguns exemplos.

Quais são os planos para a Petrobrás? Vão aprofundar a monstruosa uberização do trabalho? Qual o papel do Banco Central? Qual a posição do pré candidato para a política externa? Continuaremos como um pária nas relações exteriores?

Pois bem, são respostas as quais Ciro já tangibilizou no seu plano de governo ou ao menos se posicionou, concordem com suas opiniões ou não.

O que temos observado é exatamente um processo de ataques, alguns sub-reptícios, que visam atingir a reputação de Ciro Gomes. Tais medidas tem o objetivo de se evitar um posicionamento claro dos demais candidatos até as eleições. Assim, com tal estratégia, será possível manter o mito do brasileiro cordial, o fisiologismo e o clientelismo.

Teremos outra eleição sem debates, projetos e no escuro?

O que Ciro descortina é a falta de projeto e clareza dos demais. Isso é o que está incomodando. Daí decorrem desconstruções travestidas em conselhos e opiniões subjetivas vindas, até mesmo, de pessoas com um passado nebuloso. Ora, parece que a figura de Ciro, como o único candidato com projeto claro, que poderá ter sucesso contra Bolsonaro e Lula é o motivo da preocupação.

É um devaneio acreditar que em apenas 11 meses antes da eleição uma nova candidatura poderá surfar uma onda como a de 2018 sem projeto ou militância. Quem viver verá. O quadro agora é outro.

Quem quer outra via terá que conversar com Ciro Gomes, ou terá que ir de Lula ou Bolsonaro. Sejamos claro, querem uma terceira via? Tarde demais para outro nome com experiência, penetração nacional e militância que pode fazer frente, nas redes e nas ruas, ao lulopetismo e bolsonarismo, a militância trabalhista.

Toda a frustração relativa a Ciro Gomes ser esta via, advém basicamente do medo da perda de possibilidades que a eleição de outro poderia trazer ao interessado.

Não é necessário ser um estudioso de Freud para ter acesso, pelo menos a rudimentos de suas ideias. Assim, poderíamos até afirmar que parece projeção dos críticos em relação a pessoa Ciro Gomes uma forma de rejeitar aquilo que o próprio agressor é.

Mas não é isto. Freud não explica. Trata-se apenas de opinião motivada por interesses inconfessáveis, mas não expostos.

 

Cássio Faeddo. Advogado. Mestre em Direito. MBA em Relações Internacionais – FGV/SP

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