Saúde

Obesidade e o 'efeito cascata' de doenças crônicas

Brasil vê aumentar número de casos de diabetes, hipertensão, câncer, doenças do coração e renais

Publicado em 2018-05-14 13:24:20 Atualizado em 2018-05-14 14:26:47 (341 visualizações)

Mais de metade da população brasileira está acima do peso e um em cada cinco brasileiros é considerado obeso. Em uma década, o número de pessoas obesas aumentou 60%. Os dados fazem parte da última Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) divulgada pelo Ministério da Saúde. O estudo mostra que, ao mesmo tempo em que cresceram o sobrepeso e a obesidade, aumentaram também os casos de diabetes e de hipertensão, em 61,8% e 14,2%, respectivamente, entre 2006 e 2016.

 “A obesidade resulta em uma cascata de alterações metabólicas e hormonais que contribuem para o desenvolvimento de uma série de enfermidades crônicas, como o diabetes mellitus, a hipertensão, doenças cardiovasculares, a dislipidemia, o câncer e a doença renal crônica”, afirma a nutricionista Leila Medeiros Veiga, do Instituto Nefrológico de Campinas (INC Nefro). “A elevada incidência e prevalência da doença renal crônica”, diz, “decorrem, em grande parte do crescente aumento de indivíduos com hipertensão e diabetes”.

Apesar de a Vigitel indicar que menos brasileiros estão tomando refrigerantes e sucos artificiais (redução de 30,9%, em 2007, para 16,5%, em 2016) e comendo mais regularmente frutas e hortaliças (aumento de 33%, em 2008, para 35,2%, em 2016), apenas um a cada três adultos consumiam esses alimentos em pelo menos cinco dias na semana no ano da pesquisa.
Segundo Leila, distúrbios nutricionais são frequentemente encontrados em pacientes com doenças renais crônicas e estão relacionados a pior qualidade de vida e aumento da morbidade e mortalidade dessa população.

Equilíbrio

Para a especialista, a chave está no equilíbrio: “A adoção de práticas alimentares saudáveis é uma das medidas que deve estar inserida no cotidiano das pessoas como um evento agradável e de socialização”.
Ela alerta que a preocupação excessiva com a alimentação saudável pode também se tornar um problema. Um exemplo é a ortorexia. “Pessoas que realizam essa prática tendem a ter uma dieta cada vez mais restritiva, a ponto de excluírem grupos alimentares importantes que o nosso corpo necessita. Essa relação obsessiva com a qualidade da alimentação, prejudica principalmente a saúde mental e pode desencadear outros problemas de saúde”, afirma.

No caso das doenças renais, apesar de ressaltar que a alimentação é fundamental para prevenção e também para as pessoas doentes, uma dieta com muitas restrições pode até mesmo fazer com que o paciente abandone o tratamento.

Qualquer dieta, independentemente da população, recomenda Leila, deve ser acompanhada por nutricionista, por exemplo, para orientação de consumo de suplementos alimentares, ricos em proteínas. Para os pacientes renais cronicos  há evidências do benefício da restrição proteica sobre a progressão da doença.     
Assim como ocorre com a alimentação, o sedentarismo continua a ser um fator preocupante segundo a Vigitel, a despeito do crescimento na prática de atividades físicas (de 30,% para 37,6%), especialmente entre os jovens de 18 a 24 anos.

“Independentemente do estágio da doença, os pacientes portadores de doença renal crônica são, de forma geral, sedentários, afetando assim negativamente a saúde geral e a qualidade de vida dessa população. Pesquisas mostram que a atividade física é essencial para a saúde e bem-estar do corpo e da mente. Estudos comprovam que pacientes em hemodiálise demostram os benefícios do exercício físico, com a melhora da capacidade cardiorrespiratória e da pressão arterial”, diz Leila, lembrando que o nível de atividade física depende da capacidade funcional de cada pessoa.
Os benefícios também são preventivos: “Há evidências de que a prática regular de exercício físico reduz o risco de desenvolver inúmeras doenças, como a hipertensão, diabetes mellitus 2, obesidade, doenças cardiovasculares, alguns tipos de câncer, ansiedade e depressão”.

No Instituto Nefrológico de Campinas, afirma a nutricionista, a maioria dos pacientes são diabéticos e hipertensos e, em alguns casos, obesos. “Realizamos um trabalho diário com os pacientes para a conscientização de mudança de estilo de vida e hábitos alimentares, através da equipe multidisciplinar”, diz.

Outra iniciativa do INC Nefro é a caminhada no Dia Mundial do Rim, campanha iniciada no ano passado pelo instituto para divulgar informações relacionadas à prevenção das doenças renais e estimular a prática de atividades físicas.  A segundo edição do evento aconteceu no último dia 11 de março no Parque Taquaral e contou com sessão de exercícios, mesa de frutas e testes gratuitos para medir os índices de glicemia e a pressão arterial. Mais de 330 testes foram realizados.

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