Novo Momento

Quem sofre do mal, reclama com razão

Suor em excesso pode ser hereditário, solucionado com cirurgia

Desde criança, a artista plástica Tatiana Castilhos, de 28 anos, suava em bicas nas mãos, que chegava a pingar. “Quando eu ia dançar balé era um transtorno, porque as meninas ficavam com nojo de mim, achavam que minhas mãos estavam sujas. Morria de vergonha”, conta ela, que operou e resolveu o problema. Tatiana sofria  de uma doença chamada hiperidrose, que pode fazer uma pessoa suar em excesso, principalmente, nas mãos, debaixo dos braços, na cabeça ou nos pés. “Trata-se de uma doença genética. Normalmente, a pessoa nasce com ela”, conta o cirurgião Eduardo de Campos Werebe, um dos sócios da Clinica do Suor, em São Paulo. Os sintomas pioram com o calor, o nervosismo e a ansiedade.

De acordo com o cirurgião Antonio Malucelli, também especialista no assunto, as pessoas, geralmente, minimizam o problema. “Quando é criança, dizem que vai passar, que isso acontece pelo metabolismo acelerado. Quando é adolescente, falam que é hormonal, que quando crescer desaparecer. Mas não é nada disso, é uma doença e não deve desaparecer”, alerta.

Os médicos lembram ainda que as pessoas tendem a tratar a hiperidrose com métodos paliativos, como desodorantes, homeopatia, acupuntura ou aplicação de botox, um dos tratamentos mais novos no mercado. “O botox, além de caro, dura só alguns meses. Depois tem que ser reaplicado”, dia Werebe. A única forma de corrigir o problema é com uma cirurgia feita no tórax, que envolve a retirada ou a destruição de uma porção de cadeia simpática – conjunto nervoso responsável pelo problema. E pode haver efeitos colaterais. “De 2% a 8% dos pacientes vão ter aumento de suor em outros lugares, como na barriga por exemplo. Mesmo assim, sempre compensa, pois o suor não vem na intensidade que a pessoa tinha antes”, completa Werebe.

Depois de mais de 40 anos sofrendo com o problema o advogado Luciano Sandoval, de 46 anos, decidiu opera. Tinha suor em excesso nas axilas. “As vezes, eu estava vendo tevê e começava a pingar. È uma sensação horrível. Fui num casamento de fraque e, quando saí da igreja, fui par casa trocar de roupa porque estava encharcado’, conta ele, que entrou com uma ação na justiça contra o plano de saúde para conseguir realizar a cirurgia.

 


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