Opinião

E AGORA AMERICANA? por Omar Najar 

Saturday, February 04, 2012 10:23:56 AM
Como cidadão americanense, sinto-me na obrigação de manifestar a minha preocupação com a atual situação de Americana. Vamos aos fatos. De acordo com o balanço oficial da Prefeitura de Americana publicado em 30/01/2012, a receita corrente líquida do município saltou de R$ 328 milhões em 2008 para R$ 525 milhões em 2011 graças aos aumentos de IPTU/ Taxa de Iluminação/ Outorga Onerosa/ Taxas e Emolumentos/ Alvarás/ Água e Esgoto/ etc. Os números demonstram que o aumento da arrecadação foi expressivo. Apesar dessas evidências é incontestável que houve falta de qualidade nos investimentos nas áreas que mais exigem recursos, tais como: saúde, educação, habitação e infraestrutura urbana. Chama ainda a atenção, no quadro de evolução financeira do governo municipal, o montante da dívida, que está em mais de R$ 400 milhões, sendo que destes, R$ 168,5 milhões são dívidas já vencidas junto a fornecedores e serviços terceirizados da prefeitura e que vencem a curto prazo.  Dessa forma, é razoável admitirmos que esse quadro é grave e deixa a prefeitura impedida de realizar  investimentos em serviços que oferecem bem estar aos cidadãos. Faltam vagas nas creches, saneamento básico, moradias, asfalto, médicos, remédios, segurança, etc. 

Tal realidade demonstra, infelizmente, que nossa cidade tem sido vítima da falta de planejamento e gestão, trazendo outros problemas sérios para cidade, ou seja, hoje Americana não tem a Certidão Negativa de Débitos, ficando sem condições de receber verbas estaduais e federais.

Outra constatação que nos espanta é a dívida de R$ 168 milhões a curto prazo, que somada à folha de pagamentos dos funcionários públicos em 2012 no valor de R$ 290 milhões, chega a um total de R$ 458 milhões, o que compromete quase toda a receita do orçamento deste ano.  Resta-nos perguntar, como será possível manter o custeio da máquina municipal quanto a alimentação, limpeza pública, alugueis de imóveis, combustível para os veículos, etc. Não podemos continuar sob o clima de incerteza quanto aos rumos da cidade, que causa intranqüilidade a todos os americanenses.  Ao contrário do que poucos eventualmente possam pensar, desejo que o prefeito e seus vereadores tenham lucidez e sabedoria nas correções necessárias, visando ao interesse do nosso município.

 

Omar Najar

 

Não aprenderam nada, nem esqueceram nada... 

Tuesday, January 24, 2012 8:36:23 AM

Por Orestes Camargo Neves

O ex-ministro Roberto Campos dizia que “Se derem um circo para o governo tomar conta, o anão começa a crescer!”. Dizer que o setor público é incompetente e indolente é um discurso de quem nunca esteve dentro dele. Para alguém chegar ao serviço público é necessário passar por um disputado concurso público, onde os mais preparados são os selecionados. Por outro lado, se os gestores de plantão enchem de apadrinhados para ocupar os cargos em comissão, a culpa não é do serviço público em si, mas da cultura patrimonialista enraizada em nossa política.

Dentre os maiores engodos que as nossas esquerdas conservadoras tentam nos fazer acreditar é que, na prática, uma empresa estatal é um patrimônio público. Seria verdade se o estado estivesse a serviço do cidadão e não o inverso como o que acontece nesse país. Você tem que pagar altos impostos para que o mesmo estado te devolva bons serviços públicos, entretanto, o que vemos é um poder público que, proporcionalmente, investe mais em vigiar sua renda/patrimônio do que em fornecer segurança pública, educação, transporte público, saúde e outras atribuições estatais com razoável qualidade.

Se o que lhe é atribuído como principal função, o governo não consegue fazê-lo com competência, imagine quando ele se mete a ser empresário, então!  Levando em conta que 60% das empresas brasileiras não conseguem chegar aos cinco anos de vida, sendo dirigidas por acionistas que investiram seus próprios recursos, imaginem se a gestão da empresa for feita por políticos e seus lacaios? Pior que isso: a cada quatro ou oito anos pode acontecer uma mudança geral nos gestores e na própria filosofia administrativa! Só para lembrar: a Petrobrás criou nos anos 70, uma empresa – a Interbrás – para negociar seu comércio exterior e, dentre outras aberrações, seus diretores do escritório em Londres tinham polpudos salários de até dez mil libras esterlinas, livres de despesas de habitação, transporte e alimentação. Algumas estatais chegavam a pagar 16 salários anuais, enquanto que os brasileiros tinham que dormir ao relento durante diversos na fila ou pagar uma fortuna para ter uma linha de telefone fixo. A Vale do Rio Doce e a CSN eram deficitárias. A Petrobrás, quando monopolista, não produzia nem o suficiente para o consumo nacional...

Uma pergunta: quando a Petrobrás distribuiu dividendos aos brasileiros? Ela é nossa? Nossa de quem, cara pálida?

Orestes Camargo Neves

Educação: parceria entre pais e professores!, por W Zigarti 

Sunday, January 22, 2012 5:37:07 PM

Nas reuniões de pais das escolas em que leciono, gosto de conversar individualmente com cada pai, mãe ou responsável pelos alunos, para que eu possa traçar o perfil das famílias, de modo a tentar compreender a personalidade dos discentes. Com raríssimas exceções, o aluno é espelho da estrutura familiar em que está inserido, refletindo atitudes e comportamento de seus genitores.

Não é raro sermos procurados por pais, muitas vezes desesperados por não saberem como conduzir o processo de educação informal de seus rebentos, queixando-se da postura inadequada deles em casa. Ora, atribuir unicamente ao professor e à escola a condução integral do processo educativo é atestar o despreparo na criação dos filhos. Certo dia, assistindo a uma explanação de Mário Sérgio Cortella, grande disciplino do gênio Paulo Freire, iniciei uma reflexão sobre as mudanças negativas ocorridas nas famílias nas últimas décadas e o distanciamento entre pais e filhos. Há vinte anos atrás, geralmente havia um único aparelho televisor em cada casa, o que obrigava toda a família a sentar-se junta no sofá e interagir, mesmo que fosse durante os intervalos comerciais dos programas. Pais e filhos tinham por hábito realizar as refeições juntos. Havia proximidade, calor humano e vivência coletiva. Era comum (sem apologia ao “machismo), após as refeições, as meninas auxiliarem suas mães com a louça, enquanto um irmão menor era encarregado de enxugá-la, todos observados pelos olhos carinhosos do pai. Após o jantar, os pais auxiliavam, na medida de suas possibilidades, os filhos com as tarefas escolares, demonstrando interesse pela vida acadêmica de suas crias.

Hoje, costumo dizer que vivemos a era “tatu”, onde cada membro da família, influenciado pelo amplo acesso à tecnologia, isola-se em sua “toca”, seu quarto, onde dispõe de sua própria TV, computador, aparelho de som, e de onde não sai sequer para realizar as refeições. A interação entre pais e filhos foi reduzida a poucos minutos diários. O calor humano dissipou-se. Muitos pais e mães perdem horas em frente à TV, assistindo todas as novelas da emissora, mas não conseguem quinze minutos para olhar o caderno de seus filhos. Os pais não abraçam mais suas crianças, não lhes fazem cafuné ou lhes beijam. É tudo tão frio e individualista, que acaba por formar jovens despreparados para conviverem em harmonia social.

Pais, olhem com carinho para os seus filhos. Mantenham, com eles, um diálogo diário! Questionem sobre as atividades escolares. Olhem os cadernos. Demonstrem interesse por aquilo que eles produzem! O processo educativo é uma grande parceria, onde pais exercem relevante papel!

 

Wellington Zigarti

Professor, Advogado e Jornalista

Membro do Conselho Municipal de Educação

Guarda Civil Municipal, por Eliel Miranda 

Wednesday, January 18, 2012 7:31:18 PM

Qual é a atribuição de uma Guarda Civil Municipal? Qual é o treinamento que seus integrantes possuem? Qual é a escolaridade exigida para o ingresso neste cargo? A Guarda Civil Municipal e a Polícia Militar são iguais? Quais são as leis que autorizam a criação das Guardas Civis Municipais?
As respostas destas perguntas não são dominadas por grande parte da população. Embora seja possível afirmar que o desconhecimento também atinge grande parte da mídia e de integrantes das instituições de Segurança Pública.
Como acredito no bom debate e na propagação da informação correta resolvi lançar esboços destas respostas, pelo menos um norte a ser seguido. São de extrema ignorância certos comentários feitos por pessoas que possuem falsa autoridade no assunto ou simplesmente um microfone e um horário na televisão.
A Guarda Civil Municipal é uma instituição de Segurança Pública, pois é disciplinada na Constituição Federal no capítulo da Segurança Pública, artigo 144, parágrafo 8°. Sua criação não é um dever, mas uma faculdade do Poder Executivo Municipal. Traduzindo, se um Prefeito quiser pode criá-la, mas não é obrigado.
Segundo a maior das leis, a Guarda Civil Municipal quando existente deve cuidar de bens, serviços e instalações.
Dentre os bens incluem o patrimônio do Município, tanto um veículo que serve de ambulância como um prédio de uma escola municipal. Mas não é só patrimônio público. Caso fosse deveríamos concluir que o Guarda Municipal deve proteger a ambulância, mas não o seu motorista. Logo, se um ladrão viesse roubar este veículo a “obrigação” seria proteger o bem público municipal e não a vida deste motorista. O Guarda Municipal nesse caso não teria atribuição, portanto deveria ligar para a Polícia Militar.
O maior bem do Município são os seus cidadãos. A proteção da vida e da integridade do munícipe é o grande interesse, pois seria uma incoerência proteger “o menor bem” que é a propriedade e virar as costas “para a proteção da vida”. Caso pensássemos ao contrário estaríamos desprotegendo o munícipe e prestigiando o ladrão, o assassino, o estuprador e outros agressores da sociedade, que tanto perturbam a paz social.
A Guarda Civil Municipal também deve cuidar das instalações públicas, tais como os computadores e as redes de energia elétrica. Por fim deve olhar igualmente pelos serviços que são prestados no Município, ainda que feitos por permissionárias ou concessionárias, como é o caso do serviço de transporte coletivo.
A disciplina e a regulamentação do tema Guarda Civil Municipal interessa tanto ao Governo Federal, que o Ministério da Justiça publicou uma diretriz contendo o currículo de matérias exigidas no curso de formação de novos agentes e para a atualização dos antigos membros. Os concursos públicos estão cada vez mais concorridos. No mínimo é exigido ensino médio completo. O salário está longe do ideal, mas não está entre os menores.

Existe uma grande confusão por parte da comunidade ao misturar Guarda Civil Municipal com Polícia Militar. As duas instituições trabalham na área de Segurança Pública, mas possuem características diferentes. A Polícia é estadual, possui uma hierarquia bastante acentuada (são mais de dez postos entre o soldado e o coronel). É militar e quase sempre seus integrantes trabalham em lugares diferentes de onde nasceram. A Guarda é municipal, como o próprio nome sugere, possui uma hierarquia baseada na “educação” e a grande maioria dos seus integrantes possui um vínculo afetivo com a cidade, pois ou nasceram aqui ou residem há muito tempo.
No campo das atribuições também é diferente. A Polícia Militar é órgão de criação obrigatória. Atua na área de Segurança Pública, mas não possui exclusividade no patrulhamento ostensivo (andar pela cidade com viaturas e homens fardados). Possui armamento específico e de uso restrito aos seus integrantes. É uma instituição imensa com trabalhos interessantíssimos quer seja na área no embate com criminosos, quer seja na área social.
Tanto a Guarda Civil Municipal como a Polícia Militar em Santa bárbara d’Oeste cuidam da fiscalização e da orientação dos condutores e pedestre no trânsito.
Às vezes ouvimos, quando em atendimento de ocorrências, que não podemos fazer tal fiscalização, tomar certas atitudes, nem combater o crime. Penso que estes comentários são incoerentes e desprovidos de inteligência. Todo cidadão de bem deve agradecer a fiscalização. É sinal de que a prevenção está sendo feita. As Guardas Civis Municipais atendem quantas ocorrências por dia em todo Estado de São Paulo? As que ocorrem tristes desfechos são mínimas, mas as conseqüências catastróficas.
Estas ocorrências servem de combustível para noticiários apelativos. O pior é que as pessoas que são chamadas para tecerem comentários não são integrantes da Guarda Civil Municipal. Será que estes não seriam os mais indicados para comentarem sobre suas atribuições e sobre os erros cometidos por sua corporação?
É preciso entender que o salário do Guarda Civil Municipal vai continuar o mesmo caso ele tire um gato de cima da árvore ou combata o tráfico ilegal de drogas. Quem perde é a comunidade. Quantos agressores da sociedade não foram presos pelas Guardas Civis Municipais neste ano que passou?
É necessário melhorar as Guardas Civis Municipais, não sucateá-las. Na parte da estrutura se faz imperioso comprar armas não letais e letais, viaturas, fardamentos. Na parte de material humano incentivar o estudo (já é obrigatório cursos de atualização profissional), o refinamento do tratamento com o munícipe, o desenvolvimento de habilidades e uma oportunidade de crescimento profissional com o passar dos anos.
Quem acha que a Guarda Civil Municipal não trabalha corretamente ou que extrapola suas atribuições legais, deve experimentar buscar referências junto daqueles que foram ajudados por esta instituição de Segurança Pública municipal.
Cumpre frisar que existem inúmeros projetos de lei que visam regulamentar a situação jurídica das Guardas Civis Municipais. Todos fora da pauta de votação. Por quê? Há por parte dos legisladores desinteresse? Conflitos de interesses? Ou simplesmente desprezo pela questão?
O telefone de atendimento das Guardas Civis nos Municípios é quase sempre 153. Mas em poucas cidades ele é gratuito, quase sempre ele é tarifado. A justificativa é de que a Guarda Civil Municipal é um órgão de utilidade pública e não de emergência.
A discussão é interessante e deve ser fomentada. Todo cidadão tem o direito de saber as leis que regem as instituições de Segurança Pública. A Guarda Civil Municipal luta por um espaço que não está preenchido por ineficiência do Estado. Cabe a comunidade encampar a luta ou se posicionar de forma contrária.
A truculência, os desmandos e toda ordem de violência empregada em nome da ordem pública, sem justificativa plausível, dever ser repelida. A Guarda Civil Municipal não compactua com violações dos direitos e garantias fundamentais.
Enfim, a Guarda Civil Municipal surgiu para ajudar os cidadãos. Tem um estilo próprio. Suas atividades são feitas na intenção de melhorar o convívio dos cidadãos em sociedade. Tudo o que for dito fora disso não deve ser levado a sério.


Eliel Miranda, Secretário de Segurança Pública, Trânsito e Defesa Civil em Santa Bárbara d’Oeste. Colaborador do site novo Momento.
 

 

Texfibra. Tempo para aprender! por Antonio Martins 

Monday, January 16, 2012 4:26:01 PM

Depois de muitos anos no movimento sindical a gente vai se acostumando com tudo e com todo tipo de empresário. Mas ainda continuamos tento a capacidade de ficar indignados. E este é o termo apropriado para nos referirmos à Texfibra e o seu gestor, Sr. Walter: ficamos indignados!

Primeiro a empresa mandou pregar no quadro de avisos um comunicado que cortaria o convênio médico dos dependentes dos funcionários a partir do dia tal. Não houve uma conversa, uma explicação, um dedo de prosa sequer com os funcionários. O que sobrou foi desrespeito com gente trabalhadora, digna, que dedica seu esforço à empresa. Alguns – pasmem – com 20 anos de serviços prestados.

Chamados pelos trabalhadores, lá estivemos. Intermediamos para que retornassem ao trabalho. Reunião foi marcada com a empresa, o São Lucas Saúde e a Comissão de Trabalhadores, que tivemos o cuidado de formar. Nada de proposta. A conversa girou no “ou corto o convênio, ou pagam ou mando embora”.

Tentamos equacionar o problema. Chamamos os trabalhadores para assembléias. Nelas duas coisas puderam ser percebidas: ninguém mais confiava na empresa e tão pouco aceitavam  pagar o convênio, por entenderem que se tratava de um direito adquirido.

O Sindicato executa a vontade do trabalhador. E a vontade mostrada nas assembléias era ir à Justiça, para garantir o direito ao convênio. Apesar de entendermos que os trabalhadores tinham razão e chances concretas de vitória, ponderamos sobre os riscos de uma ação na Justiça. Às vezes se ganha. Às vezes se perde. A decisão era firme: vamos à Justiça. Fomos.

Duas audiências aconteceram antes do julgamento. Nas duas, a Juíza, conhecedora da indústria têxtil por ter nascido em Americana, abriu prazo para a empresa apresentar proposta ao Sindicato. A Texfibra não fez isso. Tentou coagir os trabalhadores, chamados em pequenos grupos, a aceitar pagar o convênio. Não adiantou. Os funcionários preferiram esperar a decisão da Justiça, que nos foi favorável.

Ato seguinte por parte da empresa: na madrugada após a decisão da Justiça o Setor de RH mandava gente embora, numa represália injustificável. Mais uma vez chamamos os trabalhadores, agora os demitidos. Tínhamos como caminho entrar com pedido de dissídio para anular as dispensas e reintegrar os trabalhadores. Mas eles não quiseram. Preferiram continuar demitidos. E não é porque estejam nadando em dinheiro e com emprego garantido em outro lugar. É porque estas pessoas que foram tratadas com tão pouco respeito, se respeitam.

Quem somos nós para tentar ensinar alguma coisa para alguém. Mas sempre é tempo de mudar e aprender. O gestor da empresa poderia aproveitar toda esta situação e, o exemplo dado pelos trabalhadores demitidos, para se reciclar e rever seus conceitos. Sempre é tempo!

Antonio Martins

Presidente do Sindicato dos Trabalhadores Têxteis

Prefeitura de Americana conserva ideologia da Casa Grande. O prédio não, por V Ghizini 

Wednesday, January 11, 2012 6:46:32 AM

Lugares da memória são vestígios materiais, monumentos, obras arquitetônicas, prédios e objetos por meio dos quais a sociedade constrói suas narrativas históricas. Dos grandes fatos sociais aos pequenos acontecimentos cotidianos, a memória é filtrada por expectativas, projeções, paixões e posições políticas. Nenhuma memória, portanto, é neutra.
Assim, quando tratamos da gestão pública dos lugares da memória, cabe pensarmos em duas dimensões a) a preservação e conservação do espaço físico e b) a relação crítica com esses espaços.  A primeira está ligada aos projetos de tombamento, preservação, recuperação e uso que devem ser articulados e geridos pelo poder público. A segunda, às possibilidades de ocupação e diferentes apropriações do contexto que o espaço evoca. 
No caso específico do Casarão do Salto Grande, a verba de R$ 620 mil destinada pelo Ministério do Turismo haveria de dar conta dessa primeira etapa. Até agora nada foi feito.  Nem mesmo a pressão da sociedade civil sensibilizou a Prefeitura de Americana.
Tão preocupante quanto essa situação, no entanto, é a ausência de qualquer discussão que vá além de manter o prédio em pé. Lembremos que a abertura dos campos de concentração nazistas para visitação pública, na Europa, foi acompanhada por um intenso debate para que o espaço não se tivesse função celebratória, mas para que o conhecimento do passado evitasse a repetição dos crimes que ali ocorreram. Aqui mais perto, em São Paulo, o “Museu da Resistência” foi criado no prédio de uma antiga prisão utilizada pela Ditadura civil-militar (1964-84) para encarcerar, torturar e assassinar presos políticos. É exemplo formidável de como o espaço da memória, que em muitos casos serve para justificar a opressão do passado, pode ser usado para que “não ocorra nunca mais”.
Se não cabe exigir da Secretaria de Cultura e Turismo conhecimento da extensa bibliografia sobre o tema, é de se lamentar, no mínimo, a falta de habilidade política para se estruturar projetos que incluam a noção de pertencimento e crítica da memória da cidade. O Casarão Dr. João da Silva Carrão (e seu museu) é um espaço riquíssimo para a população de Americana observar esteticamente. Mas é adequado também para questionarmos as estruturas autoritárias e desiguais de nosso passado.  Quando esquecemos a senzala reproduzimos por omissão a ideologia da Casa Grande.
A Prefeitura de Americana alia o que há de pior em sua política para a memória: a má aplicação de recursos públicos com o pensamento conservador. 

Vinícius Ghizini, 24 anos, é formado em História (USP) e mestrando em História Social pela Unicamp.

A saga de “São Marcos”, por Ariel Ferreira 

Sunday, January 08, 2012 9:59:18 AM

Para muitos apenas um goleiro, para os amantes de futebol um ídolo, e para os mais apaixonados, um Santo! É assim que podemos definir quando falamos de um dos principais arqueiros da história da Sociedade Esportiva Palmeiras e do futebol mundial.

O torcedor brasileiro e principalmente do Palmeiras jamais se esquecerá de Marcos Roberto Silveira Reis, o São Marcos, que acaba de anunciar sua aposentadoria como atleta de futebol profissional. Aos 38 anos, o goleiro nascido no município de Oriente saiu do interior paulista para brilhar, principalmente no Oriente do planeta, no Japão, quando foi campeão mundial com a seleção brasileira em 2002.

Os 20 anos dedicados ao futebol não foram apenas regados de conquistas, pelo contrário, marcado pelas declarações, algumas decepções e diversas contusões, fator preponderante para o fim de sua carreira. Marcos sempre encarnou dentro de si a paixão pelo Palmeiras, mas sua sinceridade, seu jeito humilde e gentil, de um menino que nasceu na roça, não fez se tornar ídolo só da nação palmeirense, mas também dos rivais.

Marcos deixará saudades ao futebol brasileiro. O torcedor sentirá falta de seus milagres, das suas polêmicas declarações, das suas defesas em cobranças de pênaltis, mas acima de tudo, do seu caráter, humildade e competência. O Brasil perdeu São Marcos!

Publicidade no Governo Municipal, por W Zigarti 

Saturday, January 07, 2012 12:00:12 PM

Penso sempre no que seria de Americana sem a imprensa, que tem exercido, de maneira ad hoc, a função de custus legis, fiscalizando as ações governamentais e o bom uso do erário. Recentemente foi noticiado que o Executivo Municipal gastará, até o final do mandato, mais 10 milhões de reais em publicidade, totalizando 24 milhões em quatro anos de governo. A pergunta primordial é a seguinte: 24 milhões de reais para divulgar o quê?

A Avenida Brasil, cartão postal do município, parece um cenário de guerra, totalmente desfigurada, causando transtornos para os transeuntes, bem como aos comerciantes que amargam bruscas quedas no faturamento, em decorrência da interminável obra. O trânsito está caótico, a poeira causa mal estar nas pessoas que transitam pela via, além do fato de diversos pontos da avenida, apesar dos gastos milionários, ainda apresentarem acúmulo de água.

A ampliação do Hospital Municipal está praticamente parada. A obra caminha a passos de tartaruga e constantemente vemos notícias de falta de leitos, bem como ausência de profissionais e de espaço físico. O cidadão que busca socorro nos PAIs (Programa de Atendimento Imediato) muitas vezes não encontra médicos especialistas, como aconteceu com o pai que teve de pedalar mais de 20 quilômetros para obter atendimento para o filho pequeno.

Não vou nem tocar no assunto dos buracos da cidade, que por si só renderiam um artigo.

No Jaguari, o Posto de Saúde funciona precariamente em um local, onde até pouco tempo, uma maca era usada como mesa de computador. O novo “postinho” está em construção, porém, na mesma velocidade das demais obras. E o que dizer da Casa da Criança do bairro, cuja obra está parada há meses, mesmo havendo grande demanda por vagas na localidade?

O servidor celetista, por birra da atual administração, não recebe sua merecida licença-prêmio. Será que o nobre prefeito consegue colocar a cabeça no travesseiro e dormir tranquilo, sabendo que pais e mães de família sofrem pela falta de dinheiro, mesmo tendo direito a receber as referidas licenças? Há alguns dias vi um caso de um servidor que contava com o valor da licença para rebocar sua casa, porém, como as mesmas não estão sendo pagas, teve de mudar para a casa com tijolo à mostra para livrar-se do aluguel. Um bom governante não deveria sensibilizar-se com o sofrimento de seu povo?

Será que realmente temos algo para divulgar na mídia nacional que justifique tanto gasto? Enquanto tudo isso ocorre, parece que boa parte da população aliena-se nas “butecarias” da vida, satisfazendo-se com o prazer imediatista. Mas uma coisa é certa: em 2012, ano eleitoral, todas as obras serão inauguradas, explorando a curta memória política do povo!

Wellington Zigarti

Uma pausa, uma reflexão e a esperança, por Eliel Miranda 

Sunday, January 01, 2012 6:10:57 PM

O ano de 2011 foi ótimo. A beleza de terminar um ano e começar o outro é a pausa, a reflexão e a bênção da gratidão. Tudo vai começar de novo, mas existirão momentos em 2012 que nos surpreenderão; e muito...

Pode ser que em 2011, ano que agora agoniza no leito da história, você tenha experimentado frustrações, separações, dores emocionais e tédio, porém dificilmente você não sorriu, nem teve conquistas. A vida é uma linda parábola.

Quando olhamos para este ano e outros que já estão esquecidos, lembramos do bem que recebemos, do amor que tivemos e dos momentos ímpares que permearam as nossas existências.

Deus foi e ainda é excelente conosco. A incapacidade de ver o bem que recebemos diariamente é uma tremenda perda de oportunidade. O trabalho, a família, a saúde, a paz, a esperança, os sonhos, as conquistas, os abraços e os sorrisos são bens que o Criador nos concedeu. Pode ser que lhe falte algo, mas existem outras tantas coisas que compensam.

É preciso que conheçamos os nossos limites e possibilidades e que possamos encontrar nosso equilíbrio.  A vida é um contrato de risco, segundo o escritor Augusto Cury, pois precisamos enfrentar os desafios, e não fugir deles. Basta ter fé, e no ano de 2012 tudo dará certo.

O filósofo Sêneca dizia: “Qualquer mal perde a sua pungência, quando visto pelo prisma da aceitação”. Ele ainda ensinou a alcançarmos a felicidade pessoal, dizendo que “bastava acomodar-se à própria condição e fazer dos limites pessoais a fonte perene de conforto”.

Buscamos e desejamos manter no novo ano a paz de espírito, a paz com os amigos, com a consciência e com o mundo. É necessário para isso que passemos a tratar os outros como gostamos de ser tratados. Essa lição é a de Jesus. Devemos ter amor para com os outros.

Desejo que em 2012 Santa Bárbara tenha muitas conquistas, que o povo continue sendo amigo e hospitaleiro, fazendo jus ao apelido de “terra da amizade”.  Desejo a todos daqui e de outras cidades um ano cheio de esperança.

Por fim, deixo um verso do livro de Eclesiastes, verso 11: “Não é o mais veloz que ganha a corrida, nem é o mais forte que vence na batalha. O pão não é para os mais sábios, nem a riqueza para os mais inteligentes, nem o favor para os mais cultos, porque tudo depende do tempo e do acaso”. Feliz 2012, onde estarão todas as oportunidades, bênçãos e a felicidade que cada um merece. Abraço.

Eliel Miranda, colaborador do site NovoMomento

Rose Dragone rasga elogios a Ana Leone 

Friday, December 30, 2011 9:46:17 AM

Agradeço ao senhor Prefeito Municipal pela confiança depositada em minha pessoa e pelo reconhecimento dos funcionários de carreira. Estarei dando continuidade a um serviço que sempre foi muito bem liderado por Ana Leone, que pediu seu afastamento por motivos de saúde e precisou afastar-se do cargo para uma recuperação mais saudável.

Ana nos deixará saudades. Agradeço a todas as inovações implantadas por ela e as várias mudanças feitas para melhorias dos setores ligados à Secretaria de Administração. Desejo que ela possa ter um tratamento com grande evolução e logo se recupere. Peço a Deus que ilumine e abençoe sua vida e que ela continue sendo esta grande mulher guerreira e, acima de tudo, honesta.

Nestes três anos que estivemos juntas, compartilhamos dúvidas e desafios, que foram superados com a ajuda de toda a equipe de trabalho. Obrigada Ana por você ser diferente e humana, por reconhecer o funcionário público. Peço a Deus muita luz, sabedoria e discernimento para a continuidade dos serviços, juntamente com a ajuda de toda a minha equipe de trabalho, pois sem eles não teremos grandes êxitos.

Será uma experiência nova para mim. Isso é um acontecimento que nos pega de surpresa e, para isso, temos que ter muita coragem e determinação. Espero contribuir com a Administração do Sr. Prefeito Mário Heins no desempenho das atribuições de minha função e no atendimento às necessidades dos munícipes.

Que tenhamos um 2012 repleto de muita paz e harmonia, com a proteção de Jesus Cristo Nosso Senhor.

“A humildade é a única base sólida de todas as virtudes”

 

Muito Obrigada.

 

Rosilene Ap. Lamberti Dragone

Secretária Municipal de Administração

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Canal Aberto

Fotografias a olho nu

Por Soraya Ruffo- Caminho na rua principal, em suas vicinais, passo em todas as ruas possíveis. Encontro cenas e pessoas com realidades extremas... extenuantes: um menino, pássaro, sem camiseta, num frio de 10 graus, gesticulando para um homem do outro lado da rua. Sem resposta. Sem perspectivas... Imagem real, na cabeça surreal de gente que passa alheia ao frio, à dor, ao caos, do próximo, do vizinho, do filho, da tia... da balconista da papelaria. CLIQUE PARA LER O ARTIGO INTEIRO

Editorial- Cidades Mortas  

“Umas tantas cidades moribundas arrastam um viver decrépito, gasto em chorar na mesquinhez de hoje as saudosas grandezas dantes”. Cidades Mortas

Monteiro Lobato escreveu as cidades mortas há 90 anos. Falava das cidades que se perderam no tempo e iam morrendo com o fim do ciclo do café. As cidades precisavam procurar uma vocação, assim como o país, que deixava de ser eminentemente agrário. Ele também bradava contra o marasmo do debate de seu tempo. Ele fez a campanha pelo Petróleo é Nosso e pelo desenvolvimento. O que se vê em Americana atualmente é a vitória dos que querem a pracinha central sendo perturbada apenas pelo sino e pelos desempregados. 

Rebaixamento de posto, função e soldo

Capitão Crivelari - Chamou-nos a atenção um documento que circulou pelos corredores da Câmara Municipal de Americana esta semana, escrita e assinada por um guarda municipal, em que este narra sua angústia e insatisfação por ter sido rebaixado de posto e função nos quadros da Gama, a Guarda Municipal de Americana.(Clique aqui para ler mais.)

As ruas fechadas e o Desenvolvimento Econômico

ROGÉRIO SANTAROSA A Secretaria de Desenvolvimento Econômico da Cidade de Americana, como o próprio nome diz tem as seguintes atribuições: "Fortalecimento e ampliação dos setores econômicos com o estabelecimento de políticas destinadas à promoção de estímulos ao pequeno e micro empresário e à geração de novos empregos, criando mecanismo de articulação entre os governos do Município, do Estado e da União e a iniciativa privada." www.novomomento.com.br/artigopt.aspx

Peão'09 e a mágica dos números

Primeiro era para ter quase meio milhão de pessoas. Depois mostramos que ia dar menos. Então o show de Victor e Léo daria 50 mil de público, mas mesmo antes do show a previsão caiu para 40 mil. Mostramos que os hotéis tiveram queda de 30% na procura este ano. Na última semana, em dois dias, menos de 20 mil pessoas. Daí vem a mágica. Nos dois últimos da Festa, nada menos que 100 mil pessoas (pasmem!!) foram aos shows. Milagre. Os hotéis não sentiram isso. O trânsito não sentiu isso, mas foram lá 100 mil pessoas, em dias de shows não tão esperado, mas eles foram. Eu acredito em Papai Noel e Coelhinho da Páscoa.


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