O Brasil, desde a redemocratização, conquistou muitas vitórias. A estabilidade econômica e o avanço social foram duas das mais importantes. Temos uma constituição universalista e uma moeda (o Real) respeitada e estável, que acabou com a divisão dos “sem moeda” e os “com moeda”, a tal da inflação.
Embora tenhamos muitas carências sociais para superar, um sistema político e tributário para aperfeiçoar e a impunidade para reduzir, os últimos dezoito anos foram de ininterruptas conquistas econômicas e sociais. Sem planos econômicos pinçados de cartolas técnicas, desprovidos de realismo político-social, mas com estabilidade, austeridade e responsabilidade, avançamos bastante. Tivemos solavancos políticos, econômicos, morais, próprios de nossas realidades, de nossa cultura, do abuso de alguns ou dos ventos externos, mas não saímos do trilho. Ainda.
O Brasil amadureceu. Graças, não só aos governantes, mas a cada brasileiro, do homem do campo ao executivo das grandes cidades. Dos nordestinos inventivos, donos de diversa produção cultural, aos sulistas, cultos e campeões em índice de desenvolvimento humano. Dos povos do Norte e Centro-oeste, guardiões da maior diversidade ambiental do planeta, ao povo trabalhador e incansável do Sudeste. Este é o Brasil da diversidade, onde cada um, com suas particularidades e defeitos, planta um país novo a cada dia. O Brasil tem desafios enormes pela frente e um povo gigante para enfrentá-los.
Apesar de o Brasil ter dimensões geográficas, políticas e culturais intangíveis, aparece um partido e um líder e afirmam: “antes de nós havia o nada, depois de nós há o tudo”. Como se não tivéssemos desafios a enfrentar e problemas a dirimir. Como se não tivéssemos povo, instituições, pluralidade. O Brasil não nasceu em 2003.
Imagine você, cidadão sexagenário, que trabalhou a vida inteira, passou fome para colocar comida na boca de seus filhos, suou as energias que não tinha para construir uma casa - uma casa com defeitos, sim, mas bonita o suficiente para fazer jus à sua história de lutas. Depois de anos, seu filho já crescido, não mais dependendo de você, mas você dele, resolve reformar sua casa: pinta as paredes, coloca uma ou outra janela nova, e mantêm toda estrutura que você deixou, olha para você e diz: “pai (mãe), a herança de vocês é maldita, nesta casa, nada vocês fizeram, eu fiz tudo”.
Não faz sentido. Não é honesto. Seria uma atitude pusilânime que não condiz com a história dos justos, dos humildes, mas com a história dos salteadores, daqueles que não reconhecem - a despeito de qualquer viés político - a diversidade e o trabalho alheio. Coisa de autoritário que, em nome de uma política pequena, personalista e mesquinha, lança mão da ingratidão para se fazer absoluto. Piratas, a roubar os valores da República. Repudiemos.
Os quarenta e quatro milhões de brasileiros que votaram em José Serra, além de outros tantos milhões que escolheram governadores da oposição, e não os indicados pelo guia, disseram não aos gatunos da história do Brasil. O Brasil é de todos, não é de quem lhe pintou as paredes. Milhões de brasileiros estão atentos, sobretudo os jovens, dispostos a acender o pavio da oposição em transe. Não deixaremos, jamais, que a ingratidão e a arrogância instrumental de um partido roubem nossa história em nome de um projeto de poder autoritário, corrupto e mesquinho. Estamos em vigia. Em vigia estaremos.