Não aprenderam nada, nem esqueceram nada... 

Tuesday, January 24, 2012 8:36:23 AM

Por Orestes Camargo Neves

O ex-ministro Roberto Campos dizia que “Se derem um circo para o governo tomar conta, o anão começa a crescer!”. Dizer que o setor público é incompetente e indolente é um discurso de quem nunca esteve dentro dele. Para alguém chegar ao serviço público é necessário passar por um disputado concurso público, onde os mais preparados são os selecionados. Por outro lado, se os gestores de plantão enchem de apadrinhados para ocupar os cargos em comissão, a culpa não é do serviço público em si, mas da cultura patrimonialista enraizada em nossa política.

Dentre os maiores engodos que as nossas esquerdas conservadoras tentam nos fazer acreditar é que, na prática, uma empresa estatal é um patrimônio público. Seria verdade se o estado estivesse a serviço do cidadão e não o inverso como o que acontece nesse país. Você tem que pagar altos impostos para que o mesmo estado te devolva bons serviços públicos, entretanto, o que vemos é um poder público que, proporcionalmente, investe mais em vigiar sua renda/patrimônio do que em fornecer segurança pública, educação, transporte público, saúde e outras atribuições estatais com razoável qualidade.

Se o que lhe é atribuído como principal função, o governo não consegue fazê-lo com competência, imagine quando ele se mete a ser empresário, então!  Levando em conta que 60% das empresas brasileiras não conseguem chegar aos cinco anos de vida, sendo dirigidas por acionistas que investiram seus próprios recursos, imaginem se a gestão da empresa for feita por políticos e seus lacaios? Pior que isso: a cada quatro ou oito anos pode acontecer uma mudança geral nos gestores e na própria filosofia administrativa! Só para lembrar: a Petrobrás criou nos anos 70, uma empresa – a Interbrás – para negociar seu comércio exterior e, dentre outras aberrações, seus diretores do escritório em Londres tinham polpudos salários de até dez mil libras esterlinas, livres de despesas de habitação, transporte e alimentação. Algumas estatais chegavam a pagar 16 salários anuais, enquanto que os brasileiros tinham que dormir ao relento durante diversos na fila ou pagar uma fortuna para ter uma linha de telefone fixo. A Vale do Rio Doce e a CSN eram deficitárias. A Petrobrás, quando monopolista, não produzia nem o suficiente para o consumo nacional...

Uma pergunta: quando a Petrobrás distribuiu dividendos aos brasileiros? Ela é nossa? Nossa de quem, cara pálida?

Orestes Camargo Neves



re: Não aprenderam nada, nem esqueceram nada...

Wednesday, January 25, 2012 9:43:40 AM Mauricio Pavan

Parabéns, Orestes, excelente colocação sobre serviços públicos.


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