Mobilização: Cultura fraca e Animais fortes
Sunday, January 22, 2012 7:11:30 AM
O Foco faz a força do movimento
A capacidade de mobilização nos dias atuais dos grupos de defesa dos animais e da turma que ‘faz cultura’ mostra um pouco da nossa ideia de cultura e de quais são os apelos da sociedade mais urbana e pós-moderna. Os artistas e a turma da cultura não têm foco e isso ajuda ainda mais a dispersar ou tornar ‘pequeno’ seu movimento.
Ensaiou-se no final do ano passado um movimento pedindo um shopping- que traria cinema e poderia até trazer teatro- em Americana, mas para o 'fazedor de cultura' essa é uma demanda pequeno burguesa que ‘confunde’ a turma. No ano passado foi o Salve o Casarão, que chamou a atenção, mobilizou forças políticas mas até agora deu em nada.
Os defensores dos animais, por outro lado, têm apenas um foco- defender os animais. Simples e objetivo, o que torna o diálogo com a comunidade muito mais fácil. Os movimentos de defesa dos animais só fazem crescer, elegem deputados e vereadores e são capazes de constranger o poder público, invariavelmente.
Como o movimento ‘pela cultura’ é muito difuso, a chance de se alcançar os objetivos propostos é muito menor que o movimento em defesa dos animais, p. ex., mas outro problema afeta aqueles que defendem a cultura- é a história do mundinho, do ser cool.
Para o político e para o empresário (investidor), importa volume ou a escala do projeto. Os movimentos que abrangem maior parcela da sociedade possuem maior capacidade de mobilização ou recebem maior atenção por parte de quem tem poder e/ou dinheiro. Levantar uma demanda por mês sem um foco definido torna a maioria delas inócuas.
Em Americana, o que se precisa de fato é de CINEMA. A demanda deveria partir daí. Esse grito afeta diretamente a nova classe C que vem agora para consumir cultura. Dessa demanda ordenada, seriam derivadas outras mais específicas, mas isso não é cool o suficiente.