Editorial- Mais que abelhas- Pensar o mundo ao redor
Por que um jornal fez sucesso por muitas décadas em Americana e agora parece penar por falta de projeto? Porque o jornal era seu dono- e ele ‘pensava’ e se incomodava com o que se passava com a cidade. Agora parece perder força porque não mais pensa (tem projetos) a cidade. O jornal, aliás, nunca pensou as outras paragens por onde anda.
Outro jornal jamais foi capaz de pensar-elaborar. Pode ser levado a pensar a RMC, mas parece não ser este o moto do seu dono.
A grande novidade deste site é esta. Nós nos propomos a pensar Americana, Santa Bárbara d’Oeste (como nunca foi pensada) e Nova Odessa. Elaborar, questionar, apresentar propostas. Isso.
Não temos como função vir aqui trabalhar e receber (ganhar) o dinheiro para sobreviver. Não é essa a missão do NovoMomento.
Estamos aqui para discutir projetos, para pensar a vida, o coletivo, para interferir na sociedade. E isso nos torna canal para quem se incomoda com o coletivo. Os políticos aos poucos têm entendido isso, apesar do medo dos assessores.
Os que se acham nossos concorrentes- à exceção dos grandes jornais (que têm potencial para assumir papel mais relevante)- são meros sobreviventes. Trabalham e são pagos para noticiar o que lhe é pago. São incapazes de construir algo novo, como nós tentamos.
A situação parece a questão da racionalidade e a perfeição das abelhas. Elas fazem as geométricas colméias, mas não projetam, não idealizam, apenas fazem.
Sucesso traduzido em números
Há quase um ano, o blog politicacritica se transformava no primeiro grande órgão de jornalismo online da região. Hoje, quase 2 milhões de visitas depois, pode se dizer que o projeto de fazer jornalismo de verdade na internet vingou. O sucesso do site se traduz em números, sempre incontestáveis. Em todos os rankings de audiência na internet, o NovoMomento está bem longe à frente dos sites-suporte de jornais ou rádios.
Mas qual o segredo do sucesso? No início, tentaram derrubar o site dizendo que ele era uma central de fofocas, mas o site pôs no ar as histórias- reais e verdadeira- mais quentes de 2009 e segue a fazê-lo em 2010. A ‘tese’ do site de fofocas caiu por terra e foi a vez do ‘vocês vão ter que me engolir’.
Recentemente, os detratores do site- em geral frustrados porque incapazes de alcançar nossa coragem e grandeza- têm dito que o site é novidadeiro, quer dar tudo antes, quer furar todo mundo e estar à frente do seu tempo.
O engano dos detratores está no fato de eles não entenderem que o site vingou e vai ser cada vez maior porque ele faz parte de um projeto, de um conjunto de valores e idéias que são seguidas à risca por quem faz parte da equipe. A notícia e a fonte aqui são bem tratadas.
Nos acusam de ter acesso privilegiado em tal ou qual governo. Mas sempre damos notícia de todos os lados porque aqui é onde as coisas acontecem. Voltando à história, apenas mais um destaque zagaliano. Veio janeiro e o site bateu todos os recordes e ‘fomos surpreendidos novamente’ com números muito altos. Foram 260 mil visitas e mais de 15 mil computadores diferentes acessando o site.
Esse site não foi criado pensando em negociata, em notas frias, em esquemas de governo ou em arrumar cargo para parente. Não foi criado para pegar editais ou para bater carteira ou ser faca no pescoço. Esse site foi criado porque acredita na democracia e no livre debate de ideias.
O importante para quem lê- e gosta do site ou não- é que, fosse este projeto um panfleto, um jornal semanal, um jornal diário, uma rádio ou uma TV seria o mesmo sucesso, porque o conteúdo faz a diferença.
Porque os partidos não apresentam projetos?
O que os jornais querem, todos sabem. Os partidos também querem isso, mas os partidos deveriam pensar mais e melhor que os jornais. Os partidos deveriam agir como entidades que promovem o debate, que vão além do agrupamento de interesses.
Na sua origem, os partidos são agrupamentos de grupos revolucionários, depois vão se moldando para representar interesses de grupos- burguesia, trabalhadores, igreja, conservadores, burguesia rural e outros.
Nos últimos tempos, com a consolidação da democracia, em grande parte os grupos de interesse desistiram de se agrupar em partidos e partiram para os lobbies ou simplesmente desistir do processo político por entender que a democracia está consolidada e não existe mais a necessidade de se construir nada de novo, apenas reproduzir e fazer os arranjos necessários.
E os partidos de agora? Cabe aos partidos de agora criar novos projetos, fazer aquilo que Gramsci acreditava ser o seu papel- o guia da sociedade. Quem tiver projetos, levará vantagens nesse árido mundo político que vivemos.
Editorial- Cidades Mortas
“Umas tantas cidades moribundas arrastam um viver decrépito, gasto em chorar na mesquinhez de hoje as saudosas grandezas dantes”. Cidades Mortas
Monteiro Lobato descreveu as cidades mortas há 90 anos. Falava das cidades que se perderam no tempo e iam morrendo com o fim do ciclo do café. As cidades precisavam procurar uma vocação, assim como o país, que deixava de ser eminentemente agrário. Ele também bradava contra o marasmo do debate de seu tempo. Lobato fez a campanha pelo Petróleo é Nosso e pelo desenvolvimento do país. O que se vê em Americana atualmente é a vitória dos que querem a pracinha central sendo perturbada apenas pelo sino da igreja e pelos desempregados.
Os que já têm o seu quinhão garantido não se preocupam com o restante da coletividade. Frase emblemática foi ouvida nos corredores da Câmara quando um representante do Iate Clube se justificou contra alteração de zoneamento dizendo- “Meu filho não vai precisar trabalhar em Americana”. Vamos todos para São Paulo, então? Ou para cidades vizinhas com oferta de emprego.
O debate está errado e o pensamento conservador, representado pelo jornal que tem algo de ideológico e por um ou outro vereador com maior densidade, segue vencendo. É hora do pensamento pelo desenvolvimento assumir seu papel, convocar quem pensa para fazer um debate sobre que modelo de cidade se deseja. Santa Bárbara e Nova Odessa ‘nadam de braçada’ na comparação com Americana quando se fala em desenvolvimento.
Os que batem contra o debate falam que não vão sacrificar a qualidade de vida ou a vocação da região para proporcionar desenvolvimento. E o sacrifício de quem respira o cheiro ruim das papeleiras e fibráticas? E quem mora ao lado das fábricas? Estes não dão sua dose de sacrifício?
Aos que querem matar a cidade, que se estabeleça o debate.
Editorial- Quando o comercial manda
Existe um grande debate posto na imprensa de Americana acerca da relação entre Estado e Grupos Empresariais e a influência dos segundos sobre o primeiro. É lícito um ou todos órgão de imprensa cobrarem dos políticos o uso dos valores republicanos todos? Claro que é, é saudável para a sociedade. Mas os valores republicanos também pedem a completa separação do Estado de todos meios que tentam tirar proveito dele. Seja Igreja, empresas, sindicatos, entidades outras ou mesmo pessoas. Para isso, algumas medidas têm sido adotadas.
Existem as quarentenas para diretores de Banco Central para voltar ao mercado. Existe a cobrança do MP e do STF contra o nepotismo. Existe a saudável disputa entre as diversas mídias em busca da melhor informação.
Qual o problema então?
Para se cobrar de maneira plena, a organização independente precisa não ter vínculos familiares de proveito com o Estado. Relações comerciais são lícitas, não são relações de favores, mas a indicação de nomes acaba por tirar totalmente discursos visando práticas republicanas.
O NovoMomento não tem a intenção de posar de príncipe da moralidade, mas acredita que os valores republicanos precisam nortear o homem público e as organizações que lidam com informação. Só assim o Brasil terminar de cruzar o processo de consolidação da democracia.
Alguns casos recentes opõem a posição de príncipes da moralidade com a de tomador de vantagem por conta do poder político. O comercial manda, e os valores mais modernos são submetidos a trocas vantajosas para alguns.