Castração, por Maurício Zanette 

Friday, June 04, 2010 6:08:36 PM

Devo ou não castrar o meu animal de estimação? Esta dúvida é muito comum entre aqueles que acabaram de adquirir um cãozinho ou gatinho e, já na primeira consulta, somos questionados sobre as vantagens e desvantagens deste procedimento.

 

Bem, a castração só não é recomendada para aqueles animais com finalidade de reprodução. Para os demais, não vejo porque não castrar.

 

Vamos às vantagens da castração. No caso das fêmeas, ao longo da vida, os hormônios secretados pelos ovários (estrógeno e progesterona) influenciam significativamente o desenvolvimento de tumores mamários. Isto é tão verdadeiro que, se castrarmos uma cadela antes do seu primeiro cio, o risco de desenvolvimento de tumores torna-se praticamente nulo. Se a castração ocorrer após o primeiro cio, o risco ainda diminui, porém, em taxas menores e, após o terceiro cio, não haverá nenhum efeito “protetor” sobre as glândulas mamárias. Desta forma, quando o motivo da castração é a prevenção de tumores mamários, o procedimento deve ser realizado precocemente.Além disto, a castração evita a ocorrência das piometras, que são infecções uterinas que normalmente acometem fêmeas em idade adulta ou senil. E quem nunca ouviu falar em gestação psicológica em cadelas? A progesterona secretada pelos ovários pode induzir um comportamento maternal excessivo naquelas fêmeas que nem chegaram a cruzar e este comportamento muitas vezes envolve agressividade direcionada aos próprios donos. Este padrão comportamental também é facilmente abolido com a retirada cirúrgica das glândulas sexuais.

 

A castração pode, ainda, ser uma recomendação médica no caso de animais diabéticos ou epiléticos. Os hormônios ovarianos interferem na ação da insulina e podem induzir falhas no controle do diabetes mellitus durante o período de cio, além de aumentar a freqüência de ataques convulsivos em pacientes epiléticos.

           

Já com relação aos machos, a testosterona produzida pelos testículos pode provocar alterações na próstata, tais como hiperplasia prostática benigna, prostatite e tumores prostáticos. A castração, além de promover efeitos “protetores” à próstata, ainda pode inibir alguns comportamentos indesejados como demarcação territorial, agressividade, libido intensa etc.

           

Além das vantagens acima citadas, a castração de machos e fêmeas continua sendo o melhor método contraceptivo existente.



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