Bolívia - A Arábia Saudita do Lítio
Por Beto Baiano- especial para o NovoMomento
A indústria automobilística do mundo passa por uma crise sem precedentes. General Motors e Chrysler estão dependendo de imensos recursos do governo americano para sobreviver. A Toyota teve uma queda muito grande na venda de carros. Não mais altos retornos estão na mira, mas a sobrevivência. Para isto, estão investindo em novas tecnologias de veículos.
Pressionadas também por questões ambientais, as montadoras estão pesquisando, desenvolvendo e produzindo carros elétricos, ecologicamente responsáveis, de grande apelo popular e que poderiam reverter a crise na qual se encontram. Estes carros, em geral, têm como característica o uso de combustível alternativo, na maioria dos casos, motores movidos a eletricidade gerada por baterias recarregáveis que usam lítio na sua fabricação. Caso a frota deste tipo de veículo cresça, o uso do lítio aumentaria consideravelmente.
Além de seus usos mais restritos, como tratamento de doenças mentais e bombas nucleares, recentemente o uso intensivo de celulares aumentou o consumo mundial deste mineral. O maior produtor mundial é a China, que o retira de minas tibetanas, com reservas suficientes (1,1 milhões de toneladas) para abastecer a demanda para fabricação de baterias de telefones celulares. Mas é a nossa vizinha Bolívia que possui as maiores reservas estimadas de lítio, estimadas em 5,4 milhões de toneladas.
Atualmente empresas japonesas e europeias estão tentando seduzir o Presidente da Bolívia Evo Morales para que este compartilhe as reservas do país. Independente dos esforços estrangeiros, o atual momento político boliviano tende para o nacionalismo e fortalecimento dos grupos indígenas. A mineração do lítio por empresas de fora do país tendem a ser considerada exploração e expropriação imperialística das riquezas do país.
Esta riqueza localizada nos salares bolivianos necessitará de investimentos elevados para ser recuperada, processada e transformada em energia que movimentará os carros do futuro. Mas com a economia local parada e sem o apoio de sua contraparte venezuelana, Hugo Chávez, que poderia apoiá-lo com capital (com os preços do petróleo em baixa, a economia da Venezuela também está em crise), a exploração ficaria inviável. Guardar para depois não é uma boa solução, pois a tecnologia pode rapidamente se alterar e a Bolívia, com isto, perder o trem da história e, principalmente os lucros do lítio. Pode restar aos bolivianos, portanto, a opção de permitir a exploração por parte das empresas, o que vai de encontro aos ideais revolucionários e políticos de Morales.