O prurido, ou coceira, é uma queixa muito comum entre os proprietários de cães e, menos frequentemente, de gatos. Durante o atendimento, independente das particularidades de cada caso, os donos destes animais costumam compartilhar a frustração de meses ou anos de tratamento sem resultados permanentes, uma lista interminável de medicamentos prescritos e muitos questionamentos. Bem, quando as sarnas são descartadas, existe uma grande possibilidade destes cães serem portadores de quadros alérgicos.
A primeira informação que o proprietário precisa conhecer é que as alergias não têm cura, apenas controle. A cura inexiste porque a alergia é uma enfermidade que possui base genética, ou seja, existem genes que são transmitidos entre as gerações que determinam ao sistema imunológico de um indivíduo a característica de reagir de forma exacerbada e descontrolada diante de determinadas substâncias.
Na fase inicial, a coceira costuma ser de intensidade leve e intermitente, porém, com a evolução do quadro, pode atingir níveis intensos, capazes de provocar lesões no próprio animal.
Dentre as possíveis substâncias envolvidas, podemos citar a saliva de pulgas e carrapatos, componentes da dieta (proteínas, carboidratos ou lipídeos), pólen, grama, pó doméstico, bolores, perfumes etc. Independente da causa da alergia, a coceira desencadeada por qualquer destas substâncias pode acometer diversas áreas do corpo, principalmente as orelhas, extremidades das patas, a face e a região lombar. Entretanto, alguns animais podem apresentar coceira generalizada.
O desafio do clínico veterinário ao estabelecer um diagnóstico de alergia é determinar qual é o fator desencadeante. Para isto, é necessário excluir cada possível agente de forma individualizada e observar a interrupção da coceira. Este processo pode levar meses e depende da paciência e colaboração do proprietário. Quando a causa é determinada, como picada de pulgas ou alergia à carne bovina, por exemplo, basta evitar o agente agressor que os sintomas são facilmente controlados.
Entretanto, nem sempre é possível determinar a causa da alergia, como acontece nos pacientes denominados atópicos. Nestes casos, a coceira pode ser controlada com medicamentos anti-pruriginosos, mudanças no manejo geral ou vacinas. Estas vacinas são desenvolvidas a partir da análise do soro do cão que resulta em uma lista de possíveis substâncias desencadeadoras da alergia. A partir desta análise, são desenvolvidas vacinas com concentrações crescentes destes agentes, as quais são aplicadas periodicamente com a finalidade de dessensibilizar o paciente. A desvantagem da dessensibilização é que apenas 60% dos cães respondem positivamente.
Mas lembre-se, nem toda coceira é sinônimo de alergia. Se o seu cão está se coçando, procure auxilio de um médico veterinário.