A nova noite dos cristais, por Orestes C Neves
Saturday, November 12, 2011 7:06:09 PM
Se existe uma coisa que “cinco em cada quatro pessoas” têm dificuldade em enfrentar é a opinião divergente! Acontece que esta é cláusula pétrea da democracia. O exercício da tolerância é algo que tem que ser feito de maneira contínua e perseverante.
Mahatma Gandhi disse, com muita propriedade, que: “A lei de ouro do comportamento é a tolerância mútua, já que nunca pensaremos todos da mesma maneira, já que nunca veremos senão uma parte da verdade e sob ângulos diversos.” É a pluralidade de teses que faz com que um projeto chegue a uma conclusão convergente e nunca quando se parte da unanimidade!
O recente episódio da invasão e tomada da reitoria da USP e a destruição de bens públicos são uma demonstração de como os interesses de uma minoria tentam se sobressair aos interesses gerais. Não consigo entender como o “direito” ao consumo de uma droga ilícita – quero deixar claro que não estou fazendo qualquer juízo de valor sobre a questão – possa prevalecer sobre o direito à segurança pública, dentro de um espaço, onde até latrocínios já aconteceram. Mas, seria muita ingenuidade de nossa parte acreditar que essa fosse a situação nua e crua.
O pano de fundo disso tudo é a tentativa de imposição de “uma só verdade”, tal qual a emblemática “Noite dos Cristais” programada e monitorada pela ideologia nazista de Hitler e seus comparsas. Para quem não sabe, na noite de 9 para 10 de novembro de 1938, sinagogas foram incendiadas em toda a Alemanha. Polícia e bombeiros foram impedidos de agir pelo governo nazista. Joalherias foram saqueadas e destrídas, milhares de judeus foram torturados, mortos ou deportados para campos de concentração. A justificativa usada pelos nazistas foi o assassinato do então diplomata alemão em Paris, Ernst von Rath, pelo jovem judeu polonês Herschel Grynszpan, de 17 anos, dois dias antes. Este foi só o começo do que ficou conhecido, mais tarde, como o Holocausto.
A semelhança entre os dois fatos, em si, é incontestável, além da demonstração explícita de intolerância. É a tentativa de ter o poder absoluto e sem contestações. Afinal, ambos acreditam que não existe outra verdade que não seja aquela que pregam. Derrubar o Reitor significa demonstração de poder tanto queimar sinagogas e lojas de cristais. Torçamos para que não tenhamos que passar pela terrível experiência que os cidadãos alemães tiveram que passar. A história é mais repetitiva e recorrente do que podemos imaginar...
Orestes Camargo Neves